5 de outubro de 2011

Cena brasiliense

E veio tirar satisfação do passado comigo tão indignado, que me recatei e encolhi por dentro. Mas por fora estava assim, de queixo erguido.
Quando percebeu que meu orgulho estava alto, me chamou para conversar em algum canto dessa asa sem que quebrássemos alguma coisa, ou um ao outro.
Pedimos café.
E agora sei porque insisto em tomar café se tão trêmula fico logo depois que tomo: o cheiro, o gosto do grão diluído nunca fora antes tão amargo e saboroso para mim.
Talvez aquele líquido marrom-escuro só quisesse me avisar como seria o futuro.
Minha vontade de tomá-lo o quanto antes e ir embora era enorme. Mas permaneci, e esperei as palavras proferidas calmamente, sem beber um gole.
Não gosto de ficar trêmula na frente das pessoas.

Enquanto algumas dessas palavras que passavam me faziam destrair, olhei para a janela e agradeci por ser outubro, e por não precisar mais reclamar do calor. Agradeci também pelo frio que estava fazendo, mas como bom ser humano, pedi chuva.
Grossa.
Pesada.
Que me fizesse ter motivos para sair dali.
Eis que enfim as palavras audíveis somem e o cheiro do café também.
Eis que percebeu que as palavras e o cheiro do café não eram os únicos ausentes ali.

- O café esfriou - disse eu
- Eu também.

2 comentários:

Anônimo disse...

Grande.

nofinodofio disse...

de sutileza em sutileza vc vai se expandindo, mocinha. adorei.

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Ahá.