25 de abril de 2010

Do verbo haver nas estações

Como folhas no outono, como folhas de outono no verão.
Como se o sol continuasse lá: intacto, radiante. E as folhas, esperassem a hora de cair.
E sem ansiedade nenhuma, sem nenhuma expressão, elas caem, mudando de posição: separam-se.
O sol não. O sol continua lá. Dá 6hrs da tarde, ele muda de posição. Mas não se separa de ninguém: quem não tem o sol desenhado em algum lugar?
Todo mundo "normal" tem uma perspectiva igual do sol: amarelo, cheio de raios. Gosto de desenhar o sol com óculos e um sorriso, que nem as crianças. Minha perspectiva do sol é igual a delas.

Mas ninguém tem uma perspectiva igual sobre uma folha voando no outono.
Poucos conseguem desenhar uma folha voando no outono, do jeito que imaginam.
Haja treino para desenhar toda a borda, delineadinha, cheia de cortes. Haja treino pra conseguir o lápis de cor no tom igual ao de uma folha seca, haja treino.
Mas que também haja imaginação.

Nós nos esquecemos, que quem, a princípio, a secou, foi o sol. Aquele mesmo, que continua intacto, se movendo lentamente, mesmo assim, em seu lugar, esperando dar 6 horas.

Haja horas.
Haja outonos.

2 comentários:

Lygia Carvalho. disse...

nossa, eu gostei do post, de verdade. assim, outono é a estação que mais gosto.
espero ter entendido o texto, :)
beijos.
http://www.shieldofwords.blogspot.com/

Anônimo disse...

Preciso de sua ajuda, me ensine a ser humano, me ensine a não odiar, a não debochar, a não querer se matar... me ensine a amar

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Ahá.