3 de fevereiro de 2014

dos Santos

te dou valor

às vezes
erro por medo de errar
com você
e acerto por
simplesmente
ser


coloco eu
onde caibo
e seguro na tua mão.

28 de janeiro de 2014

-


Sorria, o dia merece,
Quando você sorri minha flor, a natureza agradece
 


22 de janeiro de 2014

sobre meus últimos dias



Dizia eu, antes desses últimos dias, que se encontrasse com Deus, recitaria a letra desta música.
Sabe,
ando recitando bastante.

What's this feeling?
My love will rip a hole in the ceiling
I give myself to you from the essence of my being and I
Sing to my God, songs of love and healing

18 de janeiro de 2014

Anadotas (ou rapidinhas)

I

Deixar o café passando e esquecer é uma das coisas que mais me dá amargura na vida.


II

E eu que tava pensando que eu penso estranho?


III

(Depois de alguma conversa longa sobre música e divagações, a menina Ana Julia solta):
"É por isso que o Dicró é o Chet Baker brasileiro!"

IV

Há.

Divirtam-se.

Sempre.


[editado]

V

A palavra
livra

30 de dezembro de 2013

Arte


William Turner - Dutch Boats In A Gale (1801)


William Turner - The Shipwreck (1805)


Winslow Homer - The Sunlight on the Coast (1890)


Winslow Homer - The Coral Diver (1885)


Winslow Homer - The Water Fan (1898)


Sir. Lawrence Alma-Tadema - A Reading from Homer (1885)


Marcus Larson - Stormy Sea With Ship Wreck (1857)


Marcus Larson - Night at Sea (1858)


Marcus Larson - Shipwreck (1850)
(detalhe das gaivotas no canto superior direito da pintura!!!!!!!!)


Victor Meirelles - A Primeira Missa no Brasil (1861)













29 de dezembro de 2013

Cadência

cheguei em casa
e não me aguardavas

cheguei em casa
com perfume de homem
que não o seu.

não condiz
e se amas o sabor de mulher
que não o meu

não me diz
pois amor é livre


mas somos guiados
pelas coincidências do sangue que corre.

22 de dezembro de 2013

Sétimo dia

Domingos são monótonos por natureza. Foram feitos para que as pessoas os passassem juntas.
Afinal de contas, sexta-feira e sábado já têm seu papel de alimentar o ego do indivíduo. Estamos preocupados com o que vestir, com quem sair, e com quem voltar pra casa depois.
Aos domingos, nada importa. E o que importaria, você, por live arbítrio, deixa pra lá. Talvez por isso as segundas sejam tão infernais. Mas você não prefere pensar nisso, afinal é domingo, dia de não preocupações. De colocar o tédio em dia, e de fingir um descanso.
E como é impossível ser feliz sozinho, estou chegando aí na sua casa com um bolo quente de fubá. Passe o café.

Vamos jogar conversa fora e comemorar a capacidade genial do ser humano de ignorar problemas corriqueiros e conseguir tranquilizar-se até com o programa do Fantástico.
E chegaremos a conclusão de que tédio compartilhado é felicidade.

8 de dezembro de 2013

Te têretêtêtê

Olha, nessa vida eu só tenho certeza de uma coisa: que quando o Jorge Ben morrer, vou ficar muito triste.

1 de dezembro de 2013

dia primeiro

Meu bem hoje comprou uma guitarra. Ao sair da loja, todo feliz e com o moleque do lado (que diga-se de passagem, descobriu-se percussionista), disse que a primeira coisa que fez foi me ligar.
- Amor!
Nunca atendera o telefone com uma exclamação tão grande. Estava num carro, tinha acabado de sair de um centro de meditação, tomei um susto.
- Tudo bem?!
- HJSHSJKHJDKHFÇLSÇKÇLDKFG
Ficou tudo chiado. Quase que pedi pro Léo, meu amigo, parar no acostamento pra eu já ligar pra polícia.
- Comprei uma guitarra!
- Comprou uma guitarra?!
- Comprei HKDJHJSKHDKLÇSD  - de novo - Tô saindo da loja SHKAHSLKDJKFG Você pilha de fazer um som?*
- Pilho! Como a gente faz?
- Te ligo mais tarde

E o mais tarde chegou. Ao vê-lo, abri um sorriso. Nem me cumprimentou direito, parecia pinto no lixo. Tirou do banco de trás um case gigante. Atendeu o telefone, segurando com força o brinquedo novo:
- Sim! Aham! Muleque, comprei uma guitarra que nem a do John Lennon!

Fiquei com a frase na cabeça.

Subimos, ele empurrou algumas cadeiras, a mesa, tudo para que a ficasse bem acomodada. O zíper do case foi se abrindo a medida que o seu sorriso fazia o mesmo. Pegou a guitarra pelo braço e, sem querer, a colocou contra a luz. Brilhou. Sorri. Sorriu. Sorrimos. Me entregou. Uma Epiphone caramelo-claro (?), com detalhes em branco, cheiro de madeira.
Fiquei sem reação.
Começamos algumas musicas e logo me empolguei. Não que eu entenda muito de guitarras, mas ela era realmente gostosa de tocar. E o som ecoava. Sorrimos mais algumas vezes.

Me pediu que tocasse O Bêbado e A Equilibrista.
Depois de alguns ensaios, comecei a tocar. Tudo errado, desafinando, de olhos arregalados para a cifra. De repente, ouço um choro baixinho. Sem parar de tocar, olho discretamente para o lado. Meu bem estava meditando, como de costume. Mas chorando como criança arrependida; que não chora alto, chora no canto, chora de leve.
Errei algumas vezes e ele nem sequer abriu os olhos. Nem para um cigarro de palha que fosse.
Terminei.
Meu bem abre os olhos como quando acorda, abre o sorriso como quando me reconhece, e segura na minha coxa como quando gosta. "Lindo." Assim, com ponto final e tudo.

Tocamos mais alguns sambas e skas queridos nossos. Bob Marley, Jimi Hendrix, Azulão. Tudo de uma vez só.
Tirei algumas fotos dele, e, Deus, que sorriso.

Teve que ir embora e quis porque quis deixar a guitarra aqui. E eu, sabendo do meu crônico adjetivo "estabanada", quis porque quis que ele a levasse.
Ele, sem a menor preocupação, encostou a guitarra no sofá, me deu um beijo bom e foi embora.

Somos um casal que busca sempre a prática do desapego, sabe.
E sabemos que a guitarra é só um objeto, fadado à destruição.
Mas quem diria que um pedaço de madeira com seis cordas faria tanta gente feliz?



* ps: casais que fazem arte juntos permanecem juntos

26 de novembro de 2013

those are hard times for people who believe in theirselves

bem
você quaaaaase me magoou
quase
mas parei
prossegui




e, bem
você quaaaaaase me magoou
mas o que não é amor não permanece
e o desapego é o que faz florescer



meu bem
nunca quis te magoar
e você quaaaaaaaaase me entendeu
quase
mas parou
e prosseguiu

8 de novembro de 2013

Mundo

carnaval
carne, sol, suor
fome
desabar

travesseiro
receber
ego
saudade
órgãos

estrelas
seios
cortinas
plurais

ter pai
e não tê-lo
ter deus
e temê-lo

jás
jazz
paz

nosso
verde
sim

aqueles
outros
que não
vemos.

4 de novembro de 2013

30 days drawing challenge atrasado

Me atrasei.
Resolvi fazer sketches rápidos, pelo tablet mesmo, embora ainda queira mexer com aquarela neste desafio.

Ainda tenho alguns dias para desatrasar.

Fico triste que, quando passo o desenho para o computador, ele perde MUITA qualidade, e, portanto, cor. Tomo muito cuidado ao trabalhar com tons parecidos; os quais simplesmente desaparecem quando visualizo a imagem pelo pc.
Blé.
 

Legendas:
4 - Your favorite place: minha cama, of course, my horse. 
5 - Best friend: meu pai. Gosto muito dos cílios loiros dele. 
6 - Favorite book character (can't be a movie): infelizmente (ou não!) a maioria dos meus livros preferidos já possuem versão em filme. Desde Herman Melville até Alexandre Dumas, passando por Herman Hesse. Escolhi, então, uma personagem que eu desconheço em filmes, mas é muito bem descrita no livro. É a Cass, do conto A Mais Linda Mulher da Cidade, do livro O Amor é Um Cão dos Diabos, de Charles Bukowski. O que parece um piercing mal desenhado no septo, é um grampo. Recomendo a leitura.
7 - Favorite word: "Sol". Não só por significado, simbologia, referência e simplicidade. Mas também pelo som - parece mantra.
8 - Favorite animated character: quando penso em animação, ou penso naqueles curtas maravilhosos e undergrounds que ninguém entende, ou penso na Pixar. Há um curta, que eu não sei o nome, mas me lembra infância e sei de cor. É sobre um velhinho jogando xadrez sozinho. Estreou junto com o filme Vida de Inseto, risos.
E ele segura esta peça no final do jogo.
9 - Your favorite tv show: POIS BEM. Call me cliché mas Friends foi a única série que eu consegui assistir até o final. E gostando.


Bléééééérgh.
E não sei porque saiu essa linha cinza no meio.

31 de outubro de 2013

Peixeira

- E venha cá, minha fulôzinha! 
- Não vou porra nenhuma! Já disse! Não vou! - relutou - Não sou tua, sou MINHA, e você não manda em mim! Vá-se embora!
O homem olhou-a nos fundos dos olhos. Ela sentiu medo. Ele deu um sorriso sacana e foi aproximando-se, com passos firmes embora vagarosos. Sem perder o sorriso, indagou:
- E se eu for MESMO embora, o que a sinhazinha vai fazer?
A moça não parou nem pra pensar. Tinha fama de saber desafiar os machos todos e nenhum, nenhum mesmo, tivera coragem de puxar uma arma para a moçoila. Tão logo, respondeu:
- Eu vou viver a MINHA vida, que não tem nada, nadica, a ver com a sua. 


O homem chegou a seu encontro encarando-a. Ela respondia o olhar mas não respondia o sorriso. E que sorriso ela tinha. Combinava perfeitamente com as maçãs jovens de seu rosto. Combinava perfeitamente com o sexo dele.
E ambos sabiam.
Ele encostou sua testa na dela, e fixou mais ainda (como se isto fosse possível) o olhar. Parou de sorrir. Ela sorriu. 
- Vá-te embora, menino.
- Me manda ir embora de novo.
Ela ficou em silêncio.
Ele botou um cigarro de palha na boca e desencostou as testas. Acendeu o cigarro e deu mais um passo pra frente. E ela, um passo pra trás.
- Melhor: me chama de "menino" de novo.
- Vá-te embora, merda! Não ouviu?
- Não, não ouvi.
Mais um passo pra frente: mais um passo para trás.
- VÁ-TE EMBORA! Menino.
Ele sorriu com o cigarro na boca. Ela não podia dar mais passos para trás; encostara no armário velho que seu pai havia construído há anos e anos atrás. Com uma mão, ele puxou seu cabelo; com a outra, tirou o cigarro da boca. Fez com que ela encostasse o sorriso em tua orelha, fria, e pediu:
- Ainda não entendi.
Ela lhe deu uma mordida. Forte. Pareceria até uma criança pirracenta se tua boca não fosse tão carnuda e com tinta cor de fogo. Ela esperou que ele reclamasse. Mas isto não aconteceu.
Ela faz que não gosta de seus cabelos quase encaracolados, negros, sendo puxados. Crava as unhas longas e vermelhas em um dos fortes braços de homem que passa o dia inteiro debaixo do sol.
- Me solta! Me solta! Vou berrar!
- Ai, mulher, mas esperasse eu tirar a camisa pra me arranhar desse jeito, bichinha.
- Pois se tu não me soltar agora eu vou é berrar pra painho ouvir.
- Pois berre, berre pra painho ouvir!
- E por que tu tá rindo, é? Tá achando que eu tô brincando, é? 
Ele pôs de novo o cigarro na boca. Soltou o cabelo dela e ajeitou as calças. Fitava-o enquanto arrumava o decote, sem descer do salto.
Nenhuma palavra foi dita.
Ele deitou na cama e acomodou-se, estendeu os pés. Ela ficou parada na sua frente, e disse em tom calmo:
- Pode se retirar.
- Pois eu não vou me retirar coisa nenhuma, oia.
- Pois vá, a casa não é tua.
- Nem tua.
- Olha, menino... - ele interrompe. Larga o cigarro na janela e empurra-a, com bruta delicadeza, contra parede. Segura-a pelo pescoço, fazendo-a sentir seus calos grossos. 
Agora quem sussurra é ele:
- Eu só vou embora quando tu quiser mermo que eu vá embora.

 

27 de outubro de 2013

fim de orquestra

se me conheces o suficiente
sabes que eu gostaria
de estar sob seu corpo quente
com os lábios secos em tua orelha fria

 se me conheces o suficiente
conclui então que quero mais
com força, com carinho, com leveza,
com suor
com lágrimas
com sais


se me conheces o suficiente
sabes o que eu acho
sobre 
sobre
sobre
sobe
desce
vai
vai
vai
vai




ah!


sobre..
sobre o quê mesmo?

26 de outubro de 2013

notinha

    Ando com muita vontade de escrever. Mas me falta o quê.
    Às vezes, passeando pela rua ou durante uma aula chata, me vêm o início de algum bom texto: sobre medo de altura, sobre mais uma das minhas peripécias onibusísticas, sobre Paulinho da Viola. Gravo a frase que me veio à cabeça e decido continuá-la quando chegar em casa ou tiver um pouco de paz. 
    Minha inspiração é sacana: só surge quando não posso utilizá-la. Tenho tantas boas palavras guardadas dentro de mim, e elas só resolvem combinar no momento de uma prova chata sobre Aristóteles.
Além do quê, tudo o que quero escrever, alguém já escreveu. Não escreveria uma novidade, não faria o leitor prestar atenção. Não me faria prestar atenção. Gosto de coisas inéditas; e nem sempre minha opinião é uma delas. Aliás, só de pensar que alguém provavelmente já escreveu uma reclamação, digo, notinha semelhante a esta, me dá um desgosto no estômago. Blérgh.
Quero dissertar sobre a elegância de Paulinho da Viola quando preciso dissertar sobre as proporções da Arte Grega. E agora, que tenho tempo para falar o que quiser, simplesmente quero fazer nada.

Tenham todos uma boa qualquer coisa.

23 de outubro de 2013

30 days drawing challenge

Day 3: your fav food

Cachorro quente. Com mate. E mostarda escura!
Desde que aprendi a fazer salsicha vegan, minha vida mudou. E eu devo ter engordado uns 4kg.

Aliás,  tudo o que tem pão me conquista rapidinho.

Doodle feito com a mesma técnica de sempre.

22 de outubro de 2013

30 days drawing challenge

Day 2: your fav animal

Elefantes! Fiquei na dúvida entre elefantes e golfinhos, mas decidi pelos elefantes pois era fascinada por eles (e dinossauros) na infância.

Doodle toscao feito em 15 minutos também no aplicativo que não sei o nome.

20 de outubro de 2013

30 days drawing challenge

Day 1: Yourself.

Minha frase, bordão.  Fora os palavrões,  claro.
Me desenhei verde porque estou explorando outras cores. Em todos os sentidos possíveis.

Feito em "arte digital" (não sei o nome do aplicativo).

6 de outubro de 2013

Rafael

Estou tentando escrever isso pra você desde ontem quando você me deixou em casa.
Passei horas, minutos com esta janela aberta escrevendo e descrevendo tudo o que gosto e aprendo a gostar em você.


Mas, como sempre, prefiro apenas deixar minha gratidão por aceitar e retribuir o amor sincero que cultivo por ti.

É amor mesmo.


Um beijo.

2 de outubro de 2013

Confesso

eu tinha pensado
numa poesia
enquanto olhava
a rua pela janela
do ônibus.

mas esqueci
porque há dois dias
não dumo bem
não vejo nada
além de asfalto
passando bem rápido.
a abelha mestra.
está sempre cansada.

20 de setembro de 2013

4h

Faz-me tolerar,
Suportar,
E gostar de fazê-lo.

Faz-me crescer,
Sorrindo,
Puxando meu cabelo..

Fazer-te crescer,
Suar,
E então, és um apelo

A tudo que fiz
Que quero
E que farei pelo

nós.

14 de setembro de 2013

Serendipidade

as pessoas
se ajeitam
na frente do espelho
depois 
esquecem do jeito
que deram

12 de setembro de 2013

Beba-me ao vivo e depois também

Adoro a Elza Soares.
Esta rouquidão forçada e espírito de menina que nunca passa. Mesmo que, para isto, sejam necessárias algumas esticadinhas no rosto.
Mas isto não é problema meu.

Tampouco seu.

Deveriam existir mais pessoas como Elza Soares.

Mais artistas.


2 de setembro de 2013

Marasmo

Acordei com manchas de sangue espalhadas por toda a casa. Pelo corredor, pela bancada da cozinha, pelo chão branco do banheiro. De início, fiquei desesperada. Pensei que algo maior tinha acontecido pela quantidade de sangue. Mas quando te vi pintando na varanda, como faz todo dia de manhã, fiquei apenas curiosa.

Pensei em limpar o sangue.
Mas tinha acabado de acordar.
Pensei em te perguntar o que houvera.
Mas você estava pintando.

Percorri as trilhas cheias de sangue atrás de alguma pista do que pudesse ter acontecido. Achei cacos de vidro no chão e panos cheios, cheios de sangue dentro de baldes.
O sangue era tão denso que, além de seco, se tornara escuro, embora não possuísse cheiro algum. Ainda estava pegajoso, então não fora há tanto tempo assim.
Isto não poderia ser um mero acidente, pensei.
A menos que fosse um acidente decorrido de uma sessão de raiva. Aí seriam dois acidentes.
Ou uma sessão de raiva proposital. Normalmente você joga tintas e tintas na tela branca, mas quem sabe hoje tivesse tentado uma técnica diferente?

Passei pelo corredor.
Cheguei ao banheiro. O chão. Não podia tirar os olhos dele. Como aquela quantidade imensa de sangue justificaria sua paz de costume na varanda?
Talvez você tivesse descobrido meus outros homens.

Suspirei.

Talvez você tivesse descobrido meus outros amores fora o trompete. E, para mantermo-nos seguros, resolveu quebrar algumas coisas e sangrar um pouco, quem sabe? Assim a raiva passava e tudo ficava como antes. Você sem saber dos meus homens e eu sem saber de suas modelos nuas.
Se fosse eu, sangraria de mágoa.
Talvez você tivesse feito o mesmo.

Mas espero que não.

Apesar de saber que seus nus artísticos não são apenas nus artísticos,  e sim noites calorosas repletas de arrepios e gozos, não gostaria que soubesses de meus homens pois é apenas a você que declaro amor e companheirismo.
As coisas estavam bem como estavam antes.

Escovei meus dentes e fui até a varanda, encostei na porta e assisti o seu pintar por alguns minutos.
- Tudo bem? - os dois perguntam.
- Tudo. - os dois respondem.

Fui à área de serviço e enchi um balde de água, sabão e peguei alguns panos.
Liguei alguma música alta o suficiente para que apenas eu ouvisse.
Limpei o sangue como se fosse mais uma de suas desastrosas ações com tinta.

Melhor assim.

23 de agosto de 2013

-

só quero uma generosa caneca de chope
e um bom sexo oral.

20 de agosto de 2013

haicai errado

tudo vai
tudo volta
é só abrir
a porta

Para Não Esquecer - Lembrar

Arrumando meu quarto inarrumável desde que cheguei à Brasília, achei alguns cadernos velhos. Muito velhos.
Compartilho a seguir alguns de meus escritos velhos. Sim: muito velhos.

I

"Lavou os pratos e planejou ir à cama. Mas ele já não estava mais lá. Não tinha tantos motivos para chegar ao quarto. A lugar nenhum, diga-se de passagem".
(18/04/2012)

II


"Ir para a parada de ônibus com a cabeça a mil já é rotina. O transporte público em Brasília é caro e quando você percebe que paga R$ 2,00 para andar 6 quadras você fica assustado. Algumas pessoas não sabem o valor de R$ 2,00. Essas, sedentárias (e posso afirmar com certeza) não vão ficar com a cabeça a mil até que falte algo. Comida, lar... Ou até R$ 2,00.
Independência é algo difícil. Liberdade não. Apesar dos dois andarem juntos. Quando você tem 14 anos você acha TODA liberdade do mundo pouca. Ela não vai chegar se você continuar sem saber o valor de R$ 2,00.
Arranjar um emprego fixo é difícil. A falta de colo materno é pior ainda. Roupa não-lavada fede. E você não vai ligar pra isso quando tiver 18 anos e com uma garrafa e cerveja na mão.
A grande lição sobre a vida é que R$ 2,00 não valem somente R$ 2,00. Nunca. Deixar a cabeça a mil por falta de algo não resolve. E se apaixonar é só pra compensar a falta de alguém.
Normalmente, pessoas valem mais do que R$ 2,00. Se privar das que valem menos ajuda. Ser otimista também."
 (Sem data; tinha 14 anos. Faço questão de, neste, comentar: ficou um tanto desconexo e com alguns erros. Mas é uma das palavras mais sinceras que já coloquei no papel em minha vida. Fazem muitos anos que escrevi isto, antes de ir para Recife, e neste fragmento previ meu futuro. Acho que era mais inteligente e perspicaz há alguns anos, talvez um tanto mais humana, inclusive. E, ah, o transporte em Brasília continua caro.)


III
"O poeta nasceu errado ou você que não o entende?"
(Juliana Mantovani, 2010, professora querida de literatura).

IV

"Não sei o que vi em você. Não sei o que investiguei em seus olhos, o que procurei no seu corpo e deixei acomodar-me sobre seus braços. Não sei o que vi em você para deixar você ir."
(2010)

V

"Você não é socialista ou feminista, você não pensa realmente assim. Você só tem 16 anos e quando precisar trabalhar para pagar o que pôr na geladeira esquecerás de todas as "marchas contra corrupção" que já fora, e mal se importará com o que o Governo faz ou deixa de fazer desde que te deixem comer o que há dentro da geladeira em paz.
Sua única posição em relação a isso será um comentário seco na hora do jantar.
Ou talvez alguns desses assuntos políticos ressurjam numa mesa de bar com colegas de trabalho, e, mesmo que pouco, você saberá argumentar. Afinal, você já soube que a "culpa é do sistema" embora tenha tentado por passos errôneos desfazê-lo.
Mas saberá argumentar porque o melhor argumento é de quem errou.
Sua mudança no mundo é pequena e pouco eficaz porque, apesar de esforçar-se, não consegue um aumento salarial ou até mesmo (por que não?) notas boas.
Manter uma média excelente no colégio"
(Com 15 anos. Inacabado)


VI

"Blame it on the jazz"
(2011)

- Neste momento amasso papeis em forma de bolinha e jogo ao léu. Meu gato pretinho vai atrás, desesperado. Jogo outra. Ele não sabe para onde olhar.
É engraçado.-

VII

"Metas de 2010:
1 Perder peso;
2 Arrumar um relacionamento duradouro;
3 Passar numa faculdade pública;
4 Terminar o curso de trompete;
5 Aprender a dançar;
6 Entrar numa banda;
7 Terminar meu curta;
8 Falar menos palavrão;
9 Aprender a andar de salto"
(2010. Realizei os números 3, 4, 6, e 9. Não necessariamente em 2010).

VIII

"Então eu estive cansada durante muito tempo até chegar aqui. Nesse meio tempo, criei dois peixes e um cacto. Doei os peixes e matei o cacto. Não, eu não me orgulho isso, mas só quero que saibam que foi necessário.
Em relação aos peixes, digo.
Ah. Às vezes eu quero me doar. Aí eu me doo porque sabe como é: não sou impulsiva, mas se estiver com vontade, faço. E sem pensar na consequência que isso vai ter na minha vida."
(2010)

IX

"- Vou cozinhar para você. - disse ele.
Derreti feito a manteiga que ele colocara na quente frigideira. Nenhum homem cozinhara para mim antes e era uma honra que ele fosse o primeiro. Tinha medo de me apaixonar"
(2011)

X
"Odeio ODEIO ODEIO odeio OoDEIO ODEIO DOEODIEO ODEEEEIO mosquito."
(2010)

XI

"Ela saiu e me deu um sorriso de adeus.
Eu retribui.
E este foi o maior erro do meu ano".
(2009)

XII

"- Faz isso não! Eu sou cardíaco!
- Porra, Vanderlei! Não perguntei porra nenhuma pra tu!"
(2010)

XIII

"Tava pensando na gente assistindo TV"
(Para Mendonza, 2011)

XIV

"Enquanto você berra 'ANA JULIA, ABRE ESTA PORTA, PORRA!', eu bebo o vinho que compramos em nossa primeira viagem juntos. Enquanto você berra 'ANA JULIA, ABRE AGORA ESTA PORTA!', eu solto lágrimas silenciosas que surgem do lamento das nossas velhas e intermináveis noites desaparecerem assim, por causa de uma loira de seios fartos no sofá. Você deve realmente sentir muito pelo tom que grita e pelo seu bater desesperado no pedaço de madeira que nos separa, mas não quero ouvir isto agora de ti.
E então você chora: 'Ana, abre esta porta, por favor'. Suplica. Sabe que errou. Eu rezo, do outro lado, suplico como você ao acaso, para que você consiga sem querer abrir esta porta.
Para que nos encontremos em lágrimas e queira me fazer de novo a mulher mais feliz novo.
Você pede para entrar novamente.
Eu morro por dentro a cada segundo.
Enquanto pensas em desistir, abro a porta.
E esqueço porque estava infeliz.
Amo você."
(27/12/2011. O perdão descrito por um amor sincero :))


XV

"Se você me quer
me queira
Mas num vem dizer
Que eu num avisei"
(2009)






15 de agosto de 2013

Jade

Não sei por onde começar.
Mas antes mesmo de começar, já sabia como se chamaria: Jade. Não Cecile. Jade. Pois apesar das máscaras, dos contos e dos sonhos que conhecemos, o nome que nossos pais nos dá é o verdadeiro.
Serei objetiva: eu amo você. Não por isso ou por aquilo, pela coerência, consequência ou voracidade dos fatos. Eu amo você porque simplesmente amo. Quero que todo o bem do mundo te aconteça e que todo o mal passe longe. Que você me ouça apenas quando eu estiver certa e me corrija quando estiver errada, usando palavrões e me dando tapas de mão pesada, como normalmente faz. 
Adoro sentir essa reciprocidade. "Essa" não: a nossa. Claro, minha mão não é tão pesada quanto a tua, e eu não sou tão inteligente e perspicaz como você. Não vi tantos filmes ou li tantos livros; e às vezes me condeno por não ter gostado tanto assim de Milan Kundera. Entretanto, sei que ela existe e isto vicia.
Gosto do seu jeito de ouvir e analisar o que ouve.
Mas gosto mais ainda do seu jeito de tragar minhas palavras que ora são tóxicas ora são leves, e, ainda assim, são minhas. Gosto da sua atenção ao sexo, ao jazz, às cervejas de estilos diferentes e aos chocolates, aos homens, aos conhaques mais baratos. Gosto também dos seus olhos cansados (oblíquos e dissimulados), reclamando, querendo ir embora; e do jeito doce que ficam quando peço, bêbada, para ficarmos mais um pouco.

Gosto do seu andar. Do jeito que acordas. Dos homens que sonhas em ter e dos que terá.

Mas gosto mais ainda quando escreves.
De repente, num passe de mágica, toda a sua feminilidade se faz presente. Todos os seus horríveis defeitos e qualidades se tornam fantásticos, se tornam indiferentes; simplesmente existem.
Você é um personagem delicioso. Um Eu-lírico delicioso, como o Renato.
Me tens tão fácil quando escreves que caibo em sua mão e entrelinhas. 
Teu universo é gigante. Quando escreves, mesmo que ainda interminadas as palavras, consegue pôr todo universo nelas. Talvez você se dê conta do quão fantástico isto é, mas suponho que seja apenas quando lê Drummond ou, até mesmo, Bukowski. Eu, particularmente, espero que você faça mais sucesso do que pode imaginar; que os jovens que comecem a ler e foder possam gostar de você o quanto nós gostamos deles. Porque conheço seu âmago e suas coxas; sei que és tão valiosa quanto Drummond e Bukowski.

Gosto do jeito que apaixona-se, do jeito que deixa outros homens apaixonados mesmo sem beijá-los.
Do jeito sutil e, ainda assim, sem jeito que ficas quando está triste e com a garganta entalada de berros. Torna a escrever, novamente. Torno a ler-te.
E, a cada palavra, amar-te mais. E mais. Imensuravelmente. 

Você é mais que uma amiga para mim.
Nunca me abri como abro-me para ti com outra pessoa. Me conheces de trás para frente; e o que não conhece, há de conhecer. Não que eu seja uma pessoa tão misteriosa assim, oras, sou tagarela, sorridente e reclamona. Mas sua sensibilidade entra nas entranhas dos seres e, lá dentro, busca o que há de melhor e pior. Traduzes isto em palavras.

Você, Jade, é como meus livros favoritos: conheço-os. Já os li inúmeras vezes.
Mas toda vez que abro-os, aprendo algo novo.

És genial. Pequenina. Imensa. Linda. Mulher. Não ouso sequer mencionar "menina", acho que já passou dessa fase. 

Sou eternamente grata por ter vivido, viver e viver muito mais um dos melhores momentos da minha vida ao seu lado. Crescer com você é fascinante. Somos jovens e não nos importamos com nossos pulmões quando fumamos e nem com nossos tímpanos quando vamos às festas malucas com música extremamente alta.
Desejo de coração que você, por nós, continue levando esse não se importar juvenil em suas palavras e alma.


O que você escreveu sobre nós três, mesmo que incompleto, está fantástico. Não por Ego ou autoestima, mas o que sou está lá. Mesmo que nunca tenha pegado numa Gewher 98.

Obrigada.
Pela paciência, vontade, pelos dias, noites, vindas para cá de metrô.
Eu amo muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito muito você.



Com todo amor, tesão e carinho do universo,

Ana Julia.



ps:
não queria ter citado tanto "eu" nesta carta.
Mas não sei outro jeito de falar de Bonnie sem falar de Clyde, se é que me entende.
Te amo novamente, menina dos girassóis.

ps1:
Com acento. A Reforma Ortográfica que se foda!

ps2:
No sábado, enquanto estávamos debaixo do sol das onze da manhã, na escada branca de degraus larguíssimos da Igreja Luterana, abraçamo-nos, como fazemos de costume.
O Artur, aquele rapaz sorridente e gentil que conhecemos naquele mesmo dia, viu.
Ontem, ele veio comentar comigo que poucas amizades são como a nossa.
É.
Somos transcendentais, nêga.