30 de junho de 2012

d e s e s p e r o

Murilo Papa Pereira,

O QUE A VIDA FEZ DE VOCÊ, PELO AMOR DE DEUS?

Ah.






26 de junho de 2012

22 de junho de 2012

juju

ama a ana
que ana é palíndromo
e anagrama

21 de junho de 2012

Matei!

Fui indicada pela Maybii.

REGRAS:
• Completar todas as frases.
• Repassar o meme para 5 pessoas e avisá-las sobre.
• Ao repassar as frases, você pode optar por manter as mesmas ou inventar outras.


(gente que, quando sorri, fecha os olhos)

FRASES:

01) Sou muito preguiçosa.
02) Eu não suporto barulho.
03) Eu nunca consegui tirar Voodoo Child na guitarra (e acho que não conseguirei tão cedo. Óh, lástima e dor que me rodeiam!).
04) Eu já passei nitrogênio líquido na cabeça e sobrevivi.
05) Quando criança eu trocava todas as minhas Barbies caríssimas de Londres, Paris e do resto da gringa por dinossauros de plástico (alguns brilhavam no escuro! Nenhuma Barbie minha brilhava no escuro).
06) Neste exato momento estou ouvindo Ruas Que Sonhei do mestre Paulinho da Viola, e lembrando do show ma ra vi lho so que ocorreu há alguns meses atrás. 
07) Eu morro de medo de ser dependente financeiramente.
08) Eu sempre gostei de lutar. Já pratiquei diversas lutas e não me vejo fazendo outro esporte se não alguma luta.
09) Se eu pudesse, colocaria corante em tudo quanto é comida. Até no arroz.
10) Fico feliz quando percebo que cumpri todas as atividades propostas no dia.
11) Se pudesse voltar no tempo, não teria deixado tantas pessoas irem assim.
12) Adoro giz pastel. 
13) Quero aprender trompete. A essência, a teoria e a prática. Ser chamada de trompetista!
14) Eu preciso me controlar, criar paciência.
15) Não gosto muito de tocar Caetano Veloso no violão.

Não vou repassar.




Mantra

Considere, rapaz,
a possibilidade de ir pro Japão.

19 de junho de 2012

sincero-tê-lo

Meu homem tem a ponta dos dedos com cheiro de cigarro de palha. Os enrola franzindo bonito a testa. Calado, sempre para de falar para fazê-lo. Não é uma tarefa que exige muita concentração, mas ele faz como se estivesse tentando passar uma fina, desfiada, linha na agulha.

Quando o faz, se eu estou falando, reduzo a velocidade, às vezes me calo. Acho que ele não percebe: mas estou lá, admirando-o.
Quando o faz, se eu estou calada, chego mais perto. Só não vejo: mas sei que, a ponta dos dedos - dos mesmos dedos que percorrerão meus cabelos e rosto - estarão com cheiro de cigarro de palha.

Eu normalmente não gostaria de beijar alguém que estivesse com hálito de tabaco, tampouco esse odor de tabaco passeando em mim
mas é meu homem
e gosto dele assim.

12 de junho de 2012

Descoberta

Ser adulto é quando almoçar sorvete não é tão empolgante assim.


11 de junho de 2012

What Have I Done?


pra lá enquanto houver trem
pra cima enquanto houver além
pra sempre enquanto houver quem
(?)


(pequeñas nuevas hijas, pequeñas nuevas felicidades)


nuevo futuro segun hogar.
un poco de la paciencia...


usted, su cerveza, y lo cuánto maravilloso usted es


pra você que me esqueceu:
aquele abraço!




Gosto muito de coisas bonitas.
Já tentaram me convencer que gosto delas por influência do signo, porque me criaram assim ou porque a mídia dita: "você tem que gostar de coisas bonitas". Mas eu não acredito que seja por pré-definição.
Talvez seja instinto, malícia.
O visual me atrai, as cores, a textura. Como me parece ser.
Logo menos uso os outros sentidos e acabo me decepcionando. Ainda assim, prefiro decepcionar-me por algo bonito do que por algo feio.

E se ser bonito ou feio é relativo,
decepcionar-se também é.

10 de junho de 2012

bobices

Ninguém é de ninguém, nunca será e nunca vai ser.


Mas às vezes é bom ter alguém só pra você.


Esquecendo o caos e frio lá fora,

queria te ter agora.

4 de junho de 2012

Paulo Braz

Saudade bate
saudadeou

1 de junho de 2012

Forte

Se não recitassem poesia, se não dessem as mãos, se ele não a olhasse daquele jeito quando ela fecha os olhos e segura o coração, eu tentaria.
Se não se abraçassem com força, caminhassem compassado, sorrissem à toa mesmo sem o outro estar ao lado, eu tentaria.
Se talvez, quem sabe, elogiasse o que eu faço, se eu perdesse a timidez, desacelerasse o passo e quem sabe uma vez mesmo sem saber tentasse,
por saber do castelo que têm,
eu desistiria.

29 de maio de 2012

Hierarquia

espaço

sanhaço


sargaço


palhaço.

24 de maio de 2012

stay up late

Veja o horário de minhas publicações. Já que não foram elas que machucaram corações, tanto faz o horário que eu poste.
Volta e meia aparece alguém aqui. Não que eu não goste, não fede nem cheira: nem sei se sorri. Prefiro até que fiquem no anonimato da madrugada: continuo a pensar que eu talvez, não valha nada. E se meu esforço é vão, continuo esforçando em machucar um coração.

Porque coração machucado faz pensar e crescer, num passe de mágica a infantilidade some, e você jura vingança, mas fez por merecer.
Porque esconder sorriso assim não faz mal; não faz bem. Ninguém fica sabendo, o que os olhos não vêem, o coração não sente.

Mas se ele aparece agora, catástrofes se evitam.
Não mais que de repente.



Veja o horário de minhas publicações.

23 de maio de 2012

Lição

Quando não funciona agora,
funcionará lá na frente.
Porém, muito embora
não dependa da gente.


Quando a espera demora,
há de aprender que se aguente.
Porque o tempo devora,
e a beleza é incompetente.


Não há tanta vida lá fora,
mas aqui dentro é quase ausente.
O príncipe é quem hoje chora,
princesinha: tens que ser valente.



para clarinha.

22 de maio de 2012

Anadotas #1 - Não são bem anedotas

As atrasadas, que estava pra postar, mas esqueci.

(22 de maio de 2012)


(30 de abril de 2012 - depois do feriado da Páscoa)

(22 de abril de 2012. Detalhe: isso porque nem vi o show. Vi o Gil saindo do palco)

(22 de abril de 2012. A que melhor me define. Inclusive pelos braços tortos)



20 de maio de 2012

Anita Malfatti

aninha queria esse
aquele
e o outro também
aninha queria tanto
e acabou sem ninguém

:)




pobre aninha.
na calçada, de cigarrinho
sozinha.

18 de maio de 2012

Einstein

Meus pais sempre nunca foram superprotetores ou superatenciosos, porque comigo, nunca precisaram mesmo. Não que eu seja (ou fosse) completamente ajuizada e com boas intenções sempre, não que eu não errasse ou queimasse meu dedo no fogão vez em quando, mas é que tudo o que fazia, resolvia por si só.

Eu estava cursando o Ensino Médio, e foi aí que minhas notas começaram a se complicar. Já estavam se complicando há um certo tempo, mas como acharam que eu iria resolver, deixaram pra lá.
Não resolvi.
Mais uma vez, a pequena Ana Julia ia mal em exatas e seus pais, pela primeira vez, foram convocados à famosa reunião do colégio.
Ao contrário do esperado - ou desejado, essa convocação não veio através de carta nem de bilhete na mochila, perdido entre as provas zeradas. Ligaram pro meu pai.
Não emputecido mas chateado, meu pai disse que compareceria à reunião comigo ao lado no sábado de manhã.

Eis que chega o temido e aguardado sábado de manhã, e eu visivelmente acordara de mal humor. Não por ser sábado de manhã, mas por saber que o que eu iria ouvir lá na reunião se repetiria em casa. "Precisa estudar mais, parar de desenhar, tirar os fones de ouvido, se concentrar mais, se esforçar, assistir às aulas extras" e toda aquela ladainha que já me disseram antes.
Lembro que coloquei a primeira roupa que vi e fui de chinelos.
Meu pai nunca ligara antes para roupa que vestia, mas naquele dia, ele de camisa social azul e jeans perguntou:
- Você vai assim? - meu humor que já estava ruim piorou.
- VOU! - respondi quase gritando, quase explodindo.
- Com esses pés esquisitos?
Meu pai riu (como sempre fazia) e disse que eu parecia a minha mãe na TPM. Respondi que não estava na TPM coisa nenhuma, e que parecia a minha mãe, mas meus pés esquisitos eram iguais aos dele.

Pegamos o carro e a L2 sul.
Chegando no colégio, os professores estavam mais bem arrumados que o comum. Me deu vontade de rir, confesso.
Para meu azar, o primeiro professor que tivemos acesso foi o de álgebra. E logo vieram as reclamações: aquelas mesmas de sempre, que eu não aguento mais ouvir (e que até hoje ouço):
- Ela ouve música durante a aula, e quando não o faz, desenha na carteira e no caderno. Acho que tem déficit de atenção - sugeriu o professor
- Tenho coisa nenhuma! - respondi
- Fica quieta, Ana Julia - meu pai mandou. Fiquei quieta, levantei a sobrancelha direita e olhei pro professor, que prosseguiu:
- E não comparece às aulas à tarde. Ela faz alguma outra atividade neste período?
- Claro que faço! E você sabe, professor, até parece que você não sabe que eu quero ser artista. - justifiquei novamente
- Fica quieta, Ana Julia - meu pai mandou de novo - Faz sim, mas se for necessário eu tiro ela das aulas extras à tarde e ela vem pra cá estudar.
- Coisíssima nenhuma... - desde sempre geniosa, não consegui ficar calada mais uma vez. Mas meu pai continuou, e de repente o professor, virou psicólogo:
- Isso é coisa da mãe dela, que apoia essa loucura de arte. Arte não dá dinheiro, já disse. Mas ela não me ouve, agora fica aí tirando nota baixa em Matemática e Física. Se bem que até em Artes suas notas estão baixas hein, moça?
- Ah, isso é coisa de criação, não é culpa da minha mãe não. Cês me criaram dizendo que eu podia ser o que quiser, agora aguenta.
- Mas a única coisa que eu exijo é que você vá bem na escola, até no judô eu te coloquei! - o professor observava
- Mas eu vou! - meu pai riu. Foi uma dessas frases que eu digo sem pensar, sem nem pensar em pensar, na verdade. Mas para mim eu ia muito bem: não comparecia às aulas, mas quando ia, entendia tudo. Meu pai virou pro professor prometendo melhoras e que se eu não a fizesse, iria para o colégio público.
Mais uma vez, Aninha contrataca:
- Pode colocar, por favor.
Meu pai se vira pra mim, faz cara de chateado e pergunta em alto e bom tom:
- Fica quieta! Quer voltar pro orfanato?!


Surpreendentemente, minhas notas em Matemática melhoraram.




Observações:
1 - Em Física não.
2 - Não sou adotada.
3 - Mas às vezes tenho dúvidas.


13 de maio de 2012

sei de porra nenhuma mais não

a gente se conheceu
tava em carnaval.
acontece de eu ser quente,
acontece de eu ser,
aconteceu,
carnaval.

viva a violência! enquanto você deixava marcas nas minha costas, deixaram marcas no teu carro, deixaram marcas na tua pátria, enquanto você dormia em cima de mim.
viva a rebeldia dos que sabiam e nada fizeram
viva a hipocrisia

porque a gente se conheceu
era confete caindo do céu

7 de maio de 2012

Vento que bate nas costas

-  Estou resfriada - informei para que soubesse do meu estado antes que perguntasse o porquê de eu ter faltado às aulas - Mal posso me mover - completei.
- É o sereno, criança. Te avisei.

É o André.
Mal sabe ela, mal sabe ele, mal - cá estou - eu.

6 de maio de 2012

esquece não

parece não
mas eu voltei a ser um pouco da moça triste
que um dia fui


podia muito bem
colocar a culpa nas janelas dos ônibus
nos homens silenciosos
ou nas incapacidades físicas


mas a culpa tá em mim
e no que eu não dia fui
saber discernir o que é memória
agora
carece não.

30 de abril de 2012

minus

há tanto tempo que te amo
and i can't make you love me
so i've buried you 
between the bars
but i'm so vain
porque também somos o que perdemos


(nothing is mine here

but you)

29 de abril de 2012

what have i done?


25 de abril de 2012

Procuro Ângelo vivo ou morto

(...)
- Ângelo tinha olhos profundos e castanhos. As outras acham graça e caçoam de eu reparar nos olhos e nas mãos dos homens, e não no pau. Mas eu sei falar do pau também. É que com o passar dos anos, aprendi a achar mais interessante mãos do que paus. Gosto de mãos grandes - deu uma tossidinha - acho que quem tem mão grande é mais passional e fode melhor. Talvez isso seja só ilusão minha - deu uma tragadinha - mas a gente tem que é sonhar, né?
Alguns homens já realmente gostaram de mim, e não só dos meus seios ou pernas. Mas eu os recusei. Não aceito que me deem presentem, aqui a coisa é reta, séria. Como uma, como cês chamam? Bolsa de Valores? Leilão? Não, não. É compra e venda mesmo. Quem manda nos meus seios ou pernas - apagou o cigarrinho - sou eu, não quem compra. Ah, então é aluguel, né? Não sei dessas coisas de gente com bufunfa não. Sei do Ângelo.
Eu nem ia me apaixonar por ele não, sabe? Mas aí ele me mostrou um tanto de coisa de gente com bufunfa, eu até tinha entendido um tempo atrás aí o que era Bolsa de Valores. Acho eu boto é fé que Bolsa de Valor é dessas Prada, né? Assim que cês chamam?
Daí o Ângelo tinha uns olhos bonitos, dedos amarelados de tanto fumar. Tinha muita era cultural, bufunfa também, mas ele não dizia assim não. Era solteiro mas tinha uma filha de 20 e tantos anos, quase a minha idade, sabe? Na primeira vez ele disse que me escolheu só porque eu era a que menos parecia sua filha. Não sei se foi bom ou se foi ruim, mas ele fodia olhando nos olhos.
Depois, me oferecia um cigarro - acendeu outro com o isqueirinho - e me contava das viagens ao Paraguai que tinha feito, e das mulheres que tinha se apaixonado. Tinha uma que ele sempre falava, que ele dizia que os peitos eram parecidos com os meus. Eu ria, né? Ninguém gosta de ser comparado, mas ele tava pagando, né? Que que eu posso fazer?

A voz dele era bem grave, e ele tinha calo nas mãos e nos pés. Cravos e pêlos nos peitos e nas costas, e um nariz protuberante. Sorriso também amarelado e dentes separados. Nunca me beijou.
Ah, nunca precisei.
Recitava poesias de Adolfo Bécquer e tinha medo que eu soubesse do final, porque ia estragar a surpresa. Mas ele contava sempre a mesma. Acho que, como as outras, pra fazer graça né? Me caçoar um pouquinho também. Tava pagando, tava no direito - saiu fumaça de seu narizinho.
Ele era homem e olhos castanhos tão tão masculinos que eu me apaixonaria fácil, mas ele nunca me beijou, e eu me apaixono pelo beijo, não pelo pau.

Quando Ângelo ia embora, eu ficava deitada na cama com pouca roupa e ele encostado abotoando a camisa no vão da porta. Foi assim que o vi da última vez, depois sonhei com ele algumas vezes, e.. Mas isso o senhor não quer saber, né, doutor?
Eu sei que vocês gostam de ouvir falar do pau. - e deu um sorrisinho.

24 de abril de 2012

Aos caros Levino Ferreira de Alcântara e Thiago Henrique

Hoje fui um dia cheio. Por não ter cumprido certos compromissos, tarefas e ter adiado e desistido de um bocado de coisas, minha cabeça estava tão movimentada quanto a rodoviária.
E é lá que fui parar.
Em direção ao Teatro Nacional para assistir à Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (e, naturalmente esvaziar a mente) peguei o primeiro ônibus que declarava em letras luminosas "ROD. PLAN. PILOTO".

Entrei.
O cobrador, trocador, como você quiser chamar (careca, de uniforme azul e colar de sementes) lia atentamente à Constituição Brasileira.
Chamei atenção "moço", e ele liberou a catraca. Perguntei:
- Constituição?
- É, estou estudando Direito.


Primeira pausa
Lógico que, pelo menos penso eu que, em condições boas de vida e saneamento, ninguém quer ser cobrador. Consequentemente, entendo o esforço do moço careca de uniforme azul e colar de sementes ao estudar Direito.
Nasci, cresci, e espero morrer em condições boas de vida e saneamento. Tão logo, meus parentes (todos os tipos de parentes, exceto meus avós maternos) esperam que eu também faça Direito, se não Medicina ou Engenharia Civil.
Mas para decepção geral nasci, cresci e espero morrer artista.
Expresso meu dom no desenho, no espaço cênico, mas me destaco e domino o campo musical.

Ao ver o moço estudando Direito, me cresce uma pequena e pesada insegurança ao meu futuro. Porque do destino eu só sei que é deitar.
Não quero passar fome, frio e medo. Tampouco decepcionar meus pais. Me dedico pouco ao que penso que nasci para fazer, e às vezes acho tarde demais. Sempre fui corajosa, mas há momentos em que me provo o contrário.
Fim da primeira pausa


- Boa sorte, moço. - e sentei em qualquer lugar.

Chegando ao Teatro Nacional, me dirigi à Sala Villa-Lobos (onde ocorrem rotineiramente às terças-feiras do mês as apresentações da Orquestra) e, Ana sempre atrasada, já tinha começado.
Me deparo com uma big-band tocando Duke Ellington. Coisa mais linda.
Uma fileira de saxofones, outra de trombones e uns três trompetistas. Uma guitarra, piano e bateria.
Ouvi sorrindo.

Quando saíram, entrou a formação normal da Orquestra. Com regência de Emílio de César, interpretaram Scherzo, Alberto Nepomuceno e Carlos Gomes. Entre um grave e outro me emocionava, ao ponto da moça ao lado perguntar se eu estava bem. E é lógico que eu estava. Nunca estive melhor.
Estava presenciando o que quero presenciar para sempre: o preencher da música na sala e nos sete buracos da minha cabeça.
Preencher não: inundar.

Acabaram, o público aplaudiu de pé, assobiou e gritou. O homenageado da noite - maestro Levino Ferreira de Alcântara - foi convidado a subir no palco e reger algumas peças de Mozart e outra de Haendel, com a participação do Coro Cantus Firmus. Impecável, diria.
Mas não foi a estrutura nem a escolha das músicas que me chamou atenção.

Segunda pausa
Nesta noite, Levino Ferreira de Alcântara comemora 90 anos, completados no dia 3 de abril. Construiu e fundou a Escola de Música de Brasília.
Construiu e fundou minha segunda casa.
Não dei valor quando estive lá. De fora você percebe e se chateia com os maus tratos do Governo em relação à Escola de Música. Mas isso não convém.
Levino, de cabeça branca e passos curtos esbanja lucidez e clareza nas suas palavras. Proferiu poucas e completas palavras, e com senso de humor, agradeceu por estar ali.
Mas seus gestos... Ah, seus gestos.
Que gestos.
Demonstravam uma vida inteira difícil e satisfatória. Seus gestos - de maestro, como ficar na ponta do pé e erguer os braços ao tentar chegar nos agudos dos violinos - expressavam (arrisco dizer e espero que concorde e esteja certa) amor.

Gestos não tão rápidos quanto a orquestra tocava. Mas gestos vívidos, gigantes e admiráveis.
Emocionei-me, a moça do lado - até que enfim - se emocionou.
Fim da segunda pausa


Parabéns finais, o público se retira.
Permaneço em meu lugar agradecendo silenciosamente a certeza obtida nesta noite.
Música.



Observações pequenas
Impressionei-me com toda a interpretação e esforço da Orquestra. Mas aviso que não é a primeira vez que a vejo.
Tão logo, sempre me impressiono. E por me impressionar sempre, tenho certeza.
Certeza essa que talvez me faça passar fome e frio. Mas medo já não mais.
E certeza de que com esforço, dedicação e carinho chego aos pés (nem que seja a sola dos pés) do maestro Levino Ferreira de Alcântara.
A traduzirei agora em escalas.


22 de abril de 2012

amazônia

das terras não conhecidas
você escolheu a minha

devastou lençóis
roubou sorrisos
arrancou beijos
fez ventos.

das terras menos conhecidas
você inundou a minha

gritei
evitei
impedi
mas quem luta com mão
perde contra quem luta com faca
quem luta com os lábios
perde contra quem luta com dedos
quem luta
perde.

das terras devastadas
você retornou à minha

emprestei o que era teu
doei o que era meu
esqueci o que foi nosso.

21 de abril de 2012

Indireta :)

Não sei amar, por isso liberto quando o faço.

16 de abril de 2012

As coisas belas que a vida conta


fantasia.



tentei escrever tanta coisa aqui
mas não consigo

15 de abril de 2012

pessoal (parte 1)

Acordei naquela manhã com frio. Demorei pra levantar. Não sou desses, preguiçosos. Não espero a vida acontecer, tampouco deixo que outras pessoas a dominem. Logo, estranhei quando não quis levantar.
Fazia 5 anos que meu irmão tinha desparecido, naquele dia, naquela manhã. Nunca me importei.
Quando disse que não ia criar drogado em casa eu tinha falado sério. Pelo visto, ele não teve futuro mesmo. Tentou voltar uma vez mas eu não deixei. Repito: nunca me importei. Meus pais - covardes em não aceitar a realidade - nunca se importaram, por que eu, mero irmão mais velho me importaria? Tentei criá-lo. Desisti em pouco tempo. Não tinha me criado, queria criar outro - que não queria ajuda? Quem sou eu para fazê-lo?

Ah, voltemos à manhã.

Quando consegui levantar fui ao banheiro, como ritual, de praxe, usual, então. A barba já tinha crescido mais um tanto, e eu não iria fazê-la. Minha nêga disse que gosta assim, deixa, né? Tem que agradar a mulher às vezes. Ela passa aquela coisa toda na cara pra ficar bonita pra mim, eu deixo a barba crescer, assim que as coisas têm que ser; recíprocas.
Aí lembrei dela e dei um sorriso. Sem mostrar os dentes, de ressaca, mas sorri. Tava feliz, sabe?
Lavei o rosto, escovei os dentes, e desejei algum desses trecos que as nêgas passam pra esconder olheira.

Nem tomei café, nem dei beijo na mãe, fui pra rua.

Estava frio, e consequentemente, nublado. Fiquei extasiado em sentir o vento no meu rosto, e pensei seriamente em voltar pra casa, fazer a barba só pra passar pós-barba na cara e sentir o vento de novo.
Fui pegar o ônibus e logo esse vento passou.
Abafado. Ia chover, então fecham as janelas do inferno. É homem encostando em quem não conhece, mulher com três bolsas e menino no colo, você deve saber. E eu lá. De casaco e documento na mão. Ia pagar umas contas no banco, mas estava quase desistindo. Primeiro por este inferno, segundo porque estavam atrasadas e eu estava duro. Talvez se atrasasse mais eu conseguisse juntar um dinheirinho bom, e com o que sobrar, eu ia pedir a nega em casamento. Quase, pra variar. Eu quase isso, quase aquilo, mas nunca.
Aí enfim desci.

Muita gente na rua. Admiro essas pessoas que acordam cedo e lembro sempre do meu irmão que reclamava de fazer o mesmo. Ele acordava cedo para ir ao colégio, e não para pegar no batente. Não precisava daquele escândalo todo que ele fazia. Só de lembrar o sangue ferve.
Mimado de merda.

Fechei a cara ao lembrar. Várias pessoas passaram por mim nesse momento, mas um me chamou atenção. Era careca, de óculos escuros e sapatos caros. "Mais um desses charlatões", pensei.
Continuei andando, agora com passos acelerados. Parei num quiosque para comprar Coca-Cola, mas nem isso tinha. Continuei andando como tivera feito a vida inteira.
Quando parei para atravessar o sinal, alguém encostou a mão no meu ombro.
Virei preparado para dar um sorriso ou um soco.
Quando virei, pensei em dar a segunda opção.

Era o tal do homem charlatão.
O sinal abriu, e eu dei um passo. Ele foi direto:
- Você sabe bater? - e eu continuei andando, sem parar. - Você sabe bater, imbecil? - ele repetiu. Fechei a cara novamente. Sabia que não devia ter saído de casa, sabia. Dei meia volta e o sinal fechou. Cheguei perto dele e, pacientemente, perguntei
- O que você disse?
- Não me faça repetir.
- Foi isso mesmo que eu entendi - e virei as costas maaais uma vez. Ele colocou a mão no meu outro ombro e eu virei um tanto bufante - O que você quer?!
- Você sabe bater?
- Sei.
- Me mostra.

Ri.
Ridículo. Agora ele queria fazer ceninha ali, no sinal? Com várias pessoas em volta?

- Não me dou a esse luxo não, doutor. Com licença que eu tenho coisas a fazer.

E me deu um soco. No queixo.
Doeu.
Dor que há muito não sentia.
Revidei.
No olho.
As pessoas olharam, um cara se aproximou para nos separar, mas o charlatão afastou-o dizendo que estava tudo bem. E eu já não entendia mais era nada. Queria voltar pra minha cama, tava bom lá.

- Ah, que que foi agora? - eu perguntei
- Você é bom, moleque
- Tá, posso ir? Caralho! Agora além de ter que pagar conta vou ter que consertar meu queixo. Vá procurar o que fazer, infeliz!
- De quanto é essa sua conta?
- O quê?
- Qual o valor da sua conta?
- Oras, não se meta na minha vida, velhaco!
- Eu pago sua conta.
- Não preciso. - atravessei finalmente o sinal e ele atravessou junto.
- Precisa sim. Você tem cara de quem precisa. Mas eu também preciso. Preciso de alguém que soque como você.
- Tem academia de boxe aqui perto, doutor. Procura lá.
- EU PAGO SUA CONTA, IMBECIL. Ainda sobra dinheiro extra. É pra coisa SÉRIA que eu preciso de você, não se recusa coisa séria, é quase uma caridade, um serviço de solidariedade, aceita e me escuta, porra! Gostei de você quando fechaste a cara há alguns minutos atrás.
Não foi à toa, porra.
Me escuta e aceita.
- Não aceito e te escuto, diz.
- Te pago bem. Sou dono de consórcio, tem minha palavra. Quero me vingar de uma mulherzinha. Uma vagabunda, na verdade.
- Como assim?
- Você enche ela de porrada - ele abaixou o tom de voz - mas só até o nariz dela sangrar. Não desmaia nem mata. Tá me ouvindo? Não desmaia nem mata. Só pra dar um susto na vagabunda.
- Cê ta brincando que eu vou bater em mulher por dinheiro, né? Dá licença, meu senhor, dá licença.
- Eu pago o que você quiser, criança. Eu tô precisando, cacete. E tu? Tá precisando do que?
- De ir. De pagar minhas contas, fechar meu queixo.
- Tu não tem mulher?
- Tenho sim, doutor.
- Tu não quer dar nem uma joiazinha pra ela?

Fiquei em silêncio.
Aquilo era corrupção. A gente sabe que em mulher não se bate.
Mas toca no assunto do coração e do bolso a gente até pensa.
Até.

- Quero sim.
- Então.
- Mas com o meu dinheiro.
- O dinheiro vai ser seu, mula! Te dou quanto for necessário. Só quero uns socos. Você não estará sozinho.
- Tá.
- Aceita?
- Quero ver qual é.

13 de abril de 2012

Tyler

Quebrei-lhe a face (de novo).
Deixei roxa, azul e verde.
Dolorida, fraquejou.




Pra combinar com o caráter.