12 de outubro de 2015

depósito

Revendo as mídias digitais e as fotos em pixels, reciclando o cartão (d)e memória.
Curadoria de momentos e acidentes.


Nem acredito que encontrei isto, nem sei quanto tempo faz. Da época de flash mob, guerra de travesseiros :o)

transito trânsito







tríade







obra de pedro reyes



suspiro










arco e flecha




<3 p="">



2 de setembro de 2015

As diárias analogias resumidas EE

É como se você fosse numa festa onde você não conhece ninguém. Pode dançar como se ninguém estivesse olhando, sabe? Ou como se estivesse num país onde não falam português. Podes falar e ninguém entenderá, e provavelmente, vai ficar com preguiça de entender.
Então você continua caminhando no meio dum mundo de tudos e todos. Às vezes as pessoas te encaram pelo jeito que você usa o cabelo, ainda meio adolescente. Às vezes te percebem e querem conversar, às vezes, querem distância. 
O extraordinário de ser único é que, este simples fato, não te torna especial. Que nem você, não tem ou existirá igual. Ainda bem.
Num dia mais leve, alguns sorrisos soltos funcionam como abrir portas, ou melhor: janelas. Deixa o sol invadir seu quarto, iluminar tua poeira na estante. Você até se dispõe a entender o idioma das pessoas, pede para repetirem a pronúncia. E prossegue caminhando.
Algumas pessoas percebem, não falam, não podem falar. Outras fazem questão de dizer.
Como se você estivesse respondendo um teste difícil em uma sala cheia, alguém entrega as perguntas e todos respondem do jeito que estudaram. Alguns tiveram apoio de professores, pais, irmãos. Alguns tiveram apoio dos livros, das pesquisas, da internet. 
Assim como num teste em que você precisa ir bem, você continua caminhando, em alguns dias abrindo a janela, em outros dançando para esquecer. Sem conhecer teus colegas, teus concorrentes, duvidando da pergunta clara escrita, mirando no acerto. 

Sendo o que te cabe, escreve por linhas tortas, e devolve a resposta à quem perguntou. Mais um passo firme dado em teu caminho, embora sem saber erratas ou certezas, acordas todo dia para dançar sozinho enquanto espera o resultado do teste. 
Assim como as festas, os quartos e janelas, as línguas são alheias e mostram as diretrizes da sua trilha, a sorte está lançada, seja o que tiver de ser. 
Ainda bem que as tuas coisas não dependem de você.

É como se você estivesse num parque de diversões e começasse a chover, sabe?


24 de agosto de 2015

Fim de festa

Não me interprete mal,
é que às vezes eu sou assim
meio cabeça dura
Mas das coisas sérias eu sei
A culpa não foi minha
Pensando bem
Nem sua.

Não seja assim tão rude,
foram apenas quadros mal combinados
Numa parede lisa que, talvez, não mude
Mesmo quando tudo for passado.

Ainda bem que sei ler o seu silêncio.

Sobretudo, não se esqueça
Uma coisa assim tão singela
aparentas não perceber
Não sou eu em loucura,
ou nós em tabelas,
Como simples fim de música
cansei de dançar com você.

31 de julho de 2015

como leve pluma

I

de novo.
estourou o gatilho
expulsou com força
e atingiu paredes

o som oco
da casca fina sendo pedaços
todos os espelhos se vendo
estilhaços
a cor de um berro
sólida em todos os seres...

e como fruta madura
caindo no chão
jovem em ápice
velha em ascensão
que refresca e suculenta,
satisfaz e arde
destina como toda criatura:
aos léus de sorte com vento,
habita seus próprios cárceres

e quando tudo é vácuo
um silêncio invade os pulmões
paladares, por todo palácio
existe suficiente vontade
de encontrar, em toda essa
ausência de gravidade,
um colo para repouso,
o fardo pesado de ninar na rede.



II

Hoje o galo cantou cedo, saí pra trabalhar. Voltei sem perceber que tinha esquecido minha carteira no escritório. Tive que voltar. No caminho, recebi um panfleto da Madame Soraya, que prometia trazer o amor amado em 3 dias. Fiquei curioso. Guardei o panfleto no bolso. Recuperei meus documentos e fui a parada de ônibus, refazer meus caminhos.
O tédio me fez ler o panfleto. Ela atendia perto de casa e aceitava dividir o pagamento, prometia búzios e cartas de tarot. Sobretudo, trazer o amor amado em 3 dias.
Entrei no ônibus com o papel na mão. Passaram alguns bairros, e quando me dei conta, estava decidindo se iria à Madame Soraya ou não.
Eis que o endereço se aproximava. Perguntas pairavam minha cabeça: "quem será o amor da minha vida? Quem me fará feliz? Será que é mesmo em 3 dias?". Não conseguia me decidir, e o veículo acelerado, cheio de gente, de objetos. Olhei para o panfleto e desisti.
"Trazer o amor amado em 3 dias"?
É que eu sou muito chato com essas coisas de pleonasmo.


III

Essa aconteceu de verdade.

Estava no show do Paralamas do Sucesso. Numa área aberta, muitas pessoas espalhadas, sentei mais afastada do palco. Um homem aparentando 50 anos, de barba branca, vestes simples e olhos azuis carrega um expositor com seus artesanatos. Passa por mim e pede um trago do meu cigarro de palha. Respondo sim e começamos a conversar.
Ele me conta os lugares que passou, das praias bonitas do nordeste e das dificuldades financeiras.
Pergunto:
- Você acredita em Deus?
- Sim.
Curiosa, persisto:
- Por quê?
- Você acredita na África?
- Sim - digo rápido - Acredito.
- E você já viu a África?
- Não.

Neste momento fiquei surpresa. A manifestação divina é para os sensíveis; a alegria verdadeira não está no que se vê. Apenas que acreditemos é o que ela precisa para existir. Com este argumento não existiriam mais ateus no mundo.
Ele agradeceu o cigarro e foi embora, sabe-se lá para onde.
E eu? Nunca esqueci esta lição de vida.
Até perceber que ela não faz o menor sentido.


IV

Acho que nunca escrevi tão mal na vida.
Pardon my mimimi.

27 de maio de 2015

presta atenção
no que faz, onde pisa
pois cada passo anuncia o chegar
e a inevitável despedida

é de pé e chão
que destrói e cria
que arrasta teu descanso vão
nas feridas férteis que conferem
à vida.

apenas tua sombra
é quem sempre
te acompanha.

e, quando, no fim de teus dias
desejares sono em paz, fronha
apagar a luz que te banha
planos infalíveis sem artes, sem manhas

presta atenção

no que pensas e escolhes
pois o que plantas é o que colhes
e quando o pico de maturação
de teus frutos chegar
nenhum deles será de posse.

é de mente e céu
que enxerga e sente
as tramas próprias que teces
com laços firmes
nós inconsequentes
é com cautela que
não se torna réu.

e, quando, no início de teus dias
desejares sol sereno, brilho
passeares energias
em tuas entranhas
pé e chão, céu e mente
e moverás montanhas.



5 de maio de 2015


a certeza é
de passagem na
terra firme com
duros e
frágeis ossos





estar vivo é
mostrar como é
seu brilho na
imensidão do
cosmos



12 de abril de 2015

Das voltas que o mundo dá enquanto a gente gira

quero
aos pulmões, zelo
aos arrepios, pelo
às cartas, selo.

às margens, coragem
aos fios, novelos
às letras, imagens
aos filhos, sossego.

quanto ao mundo?
quero comê-lo.

29 de março de 2015

pax et bonum

Daqui pra frente não existe impedimento.
Caminho com um arcanjo ao lado,
que mesmo em dias tempestuosos me faz alado
e me leva pra voar.
E nenhum medo, nenhum mal, nenhuma morte
alcança
sequer
meus pés.

16 de março de 2015

Instável!

I

Prato do dia:
https://www.youtube.com/watch?v=xpqbbmJ42yU

II

Sobre as mudanças:
Há uns anos, quando comecei a escrever por aqui, não achava que minhas palavras mudariam o mundo. Ainda não acho. Mas também não pensava que minhas palavras mudariam tanto.
Este espaço se chamava Pré Psicopata, algo que expressasse toda minha rebeldia em estar em ambientes sempre tendenciosos. Lendo posts antigos, não mais me identifico com metade do que escrevi, apesar de me reconhecer em algumas frases. A gente muda, mas é sempre menos do que imaginamos.
Hoje, chama-se Abobrinhas, porque tudo é e sempre foi devaneio. "Encheção de linguiça", não é pra mudar o mundo. Talvez para datar minhas mudanças, ou para simplesmente livre ser. Descobri que os ambientes só se tornam tendenciosos, maliciosos, ociosos, quando nós estamos nesses estados.
Pois bem. Agora apenas observo. Como antes, bem verdade.
Mas chego mais perto.
E continuo querendo ver o oco.

III

Nada me incomoda mais
Do que o comodismo

IV [editado]


12 de março de 2015

Titãs

quem anda distraído
não percebe se vem carro,
chuva,
ou maldade.

quando é carro,
toma susto.
quando é chuva,
alarga o passo.
quando é maldade,
permanece.
às vezes, até percebe.
mas depois, esquece.

pois, quem anda distraído
acha que a dor e a morte
são dois objetos supérfluos.

quem anda distraído
sabe que, no fundo e no fundo
está bem protegido
pela beleza presente no caminho...

19 de fevereiro de 2015

santeria




















12 de fevereiro de 2015

sem titulo

mas e quando a tristeza é latente
gosto amargo no peito dessa gente
que tem nem mais água pra chorar

desde sempre coração mole
cabeça erguida, cabeça dura
pisada forte, que, por ventura
precisou aprender com o tempo.

mas e quando a canção vira lamento
esvai todo sentimento
e o silêncio passa a incomodar

as coisas não deviam ser do jeito que está
nem é de se notar como isso aconteceu
tristeza vem onde há moradia
o coração aberto esmoreceu

qualquer coisa, tudo bem, amanhã é outro dia
a importância da gente ser leve
é sabedoria popular
de resolver a si mesmo
e, assim, existir em algum lugar

2 de dezembro de 2014

Ponto de vista

Rosinha era dessas pessoas alegres e bem distraídas.
Todos os dias, na volta para casa, ela passava por um parque cheio de árvores, onde as crianças brincavam.
Às vezes Rosinha se distraía com algum passarinho ou em seus próprios pensamentos, e, sem querer, pisava em cocô de cachorro. Mas não se importava muito com isso; passava o sapato na grama e continuava a andar.

Certo dia, numa dessas voltas para casa e acompanhada de um amigo, Rosinha pisou em cheio num cocô. Como de costume, já se dirigia para fora da calçada quando foi interrompida:
- Eca!
- Ah, acontece!
- Que azar, viu? - completou o amigo.

Depois daquele dia, Rosinha andava atentamente olhando para o chão. "Que azar", pensava. Realmente, pisar em cocô de cachorro com seus bonitos sapatos não era uma coisa boa de se acontecer. Além do mais, ela ainda teria o trabalho de lavá-los depois.
"Que azar..." pensava de novo. Reparou que isto acontecia com uma certa frequência, e concluiu que, definitivamente, precisava andar olhando para o chão.
E todas as voltas para casa Rosinha percorria cabisbaixa. Não por estar exatamente triste, mas porque era melhor prevenir do que remediar.
Estava funcionando: nunca mais tivera que limpar os sapatos, e não se sentia mais azarada.

Outro dia, numa dessas voltas para casa e acompanhada daquele amigo, Rosinha olhava para o chão e escutava o canto dos pássaros.
Enquanto caminhavam e seu amigo tagarelava qualquer coisa, ela notou um canto diferente. Mais agudo, diferente de todos os outros.
Teve que levantar a cabeça.
O fez; virou quase todo o corpo para a direita e viu um pequeno sabiá. Quase que ao mesmo tempo houve um ruído.
Ploft.
Rosinha tinha pisado em cocô de cachorro.

- Mas de novo, Rosinha?
- Eu só virei para olhar o passarinho...
- Isso que é azar!

Rosinha já voltava a olhar o chão. Mas ainda escutava o sabiá cantar.
Continuaram andando, o amigo tagarelando, quando Rosinha ergueu o olhar.

- Ei, cuidado! Você sabe o que acontece quando não presta atenção!
- Sei, tenho azar. - respondeu a menina
- Pois então?!
- Mas prefiro chamar de sorte.

25 de novembro de 2014

Dia de Sopa

que mentira de amor
pesa mais que outras ideias
a gente sabe

há quem prefira
colecionar todas elas
pra evitar que acabe.


se você me lesse mesmo
saberia, meu bem
que eu prefiro outras paisagens
pra raiar o dia...

19 de outubro de 2014

Mais visual

"but I’m just a fucked up girl who is looking for my own peace of mind. Don’t assign me yours."
eternal sunshine of a spotless mind


The Tangled Garden, JEH McDonald, 1916

a cabeça da medusa, por rubens, de 1617

basquiat

antropometria, de yves klein!

la chata, de picasso




durer



normal rockwell


the cello player, edwin dinckison

"self portrait with a fur hat", também do dinckison


"

Untitled - Head of a Spanish Nobleman, Fashioned by the Catastrophe Model from a Swallow's Tail and Two Halves of a Cello, dali


'
de barbara kruger porque everybody's gotta learn sometimes






Haicai deprê

horário de verão
que bagunça
ontem foi sexta
e amanhã segunda




para o chico e o lobão

27 de setembro de 2014

Ah, coração teu engano

me chamam de maluca.


pergunta
- o que é isso, amor?
respondo
- isso é amor



dizem que sou de lua.





sou doce.





mas sei ir embora
de sentinela
sem rastros
antes de você acordar




7 de setembro de 2014

Pensamento meio ao contrário

Ser canhota é uma coisa engraçada.

As estatísticas dizem que apenas 10% da população é canhota, e contendo homens em sua maioria.
Na Idade Média éramos considerados bruxos, coisa do capiroto mesmo, divididos em destros e sinistros - o que na época não era sinal de azar, mas por outras línguas surgirem, sua etimologia foi novamente associada ao capiroto.
Olha, a Idade Média não foi muito bem o ápice da beleza da História do mundo, e a higiene era quase abstrata. As pessoas evitavam utilizar a mão esquerda, já que esta realizava o "banho".
Ainda na Bíblia, foi da costela esquerda de Adão que Eva nasceu. E foi Eva que se tentou, mordeu a maçã e pediu pra sair. Do jeito que as coisas são, não duvido que ela tenha comido a maçã com a mão esquerda também.
Tenho uma tia avó que, na escola, foi obrigada a trocar a mão para escrever. Não porque seria um problema; mas porque era errado.

Cientificamente, ser canhoto é uma coisa biológica. A lógica da cabeça é inversa: canhotos mais usam o lado direito do cérebro e destros, o lado esquerdo (vai entender).
Então você está lá: sendo formado. Aí, hereditariamente, você pega mais hormônios masculinos, responsáveis pelo lado esquerdo do cérebro, que os femininos, responsáveis pelo oposto. Tcharãm: você nasce canhoto. E pode estar associado à uma síndrome. E propenso a vários problemas de saúde. E morrer 9 anos mais jovem do que o outro resto do planeta; quem sabe por abrir uma singela lata de atum. Ou por recortar um artigo de jornal.
Mas por outro lado, dizem que nós somos bons judocas, nadadores e jogadores de futebol. E por termos a parte direita do cérebro mais ativa, somos criativos; nos desenvolvemos melhor, pensamos mais rápido. Nietzsche, Leonardo da Vinci, Hendrix, Michelângelo e Charles Chaplin? Canhotos. Hitler e Jack, O Estripador? Também.

Sinceramente, somos essa bagunça toda por necessidade. Canhoto domina a arte do improviso.
Somos adaptáveis. Assim como todos os outros, bem verdade. Mas quando a dimensão em que você vive é feita para os destros, suas habilidades tem de ser mutantes. Uma hora você deve agir como destro, outra, como canhoto.
Durante todo o Ensino Médio escrevi com cadernos ao contrário, hoje apenas debruço meu tronco sobre a mesa, entorto o caderno e, enfim, escrevo. Mas até hoje não consigo deixar de manchar minha mão com tinta de caneta. São ossos do ofício, quero dizer, sendo criacionista ou não, nascemos assim. Não escolhi.
Lembro que fui alfabetizada com a querida Professora Carminha, que insistia para que eu escrevesse com a mão direita. Mas não deu muito certo.
A mesma coisa quando fui aprender violão: o primeiro conselho que ouvi foi "aprende a tocar como destro ou você nunca vai participar de rodinhas de música". Esse já deu certo. Toco como destra, o que facilitou minha aprendizagem em outros aspectos. Ah: em toda minha vida, não vi gente tocando Legião Urbana com as cordas invertidas.
Já quase bati o carro por não ir para a "outra esquerda". Uso o mouse com a mão direita, mas não consigo desenhar bem no paint. 
Tem que gostar de desafio. Sentar numa mesa de bar cheia de gente e calcular seus movimentos para não esbarrar em ninguém.
Tem que realizar tarefas rápidas sobre pressão. Responder uma prova em mesa de braço único. Para destros.


Algo que só as minorias entendem é como é difícil ser uma minoria.
Quando acho que devo, peço cadeiras para canhoto sem exitar, por exemplo. Pena que nem em todos os lugares existem.
Ora, qual o problema em ser canhota? Entendo o que a maioria tenha razão prática  e que seja questão de conforto.
Veja bem: pago impostos, não matei ninguém e também sou filha de Deus. E se tudo é meritocrata, posso sentar-me confortavelmente.
Entretanto, muito poderia ter mais cadeiras para canhotos, e os destros as usarem de vez em quando.

 Pondo nos dias contemporâneos: a Inquisição não nos caça mais; não fazemos marchas públicas pelos direitos canhóticos, nem podemos acusar a indústria de "racista" pela falta (e preço) das tesouras canhóticas, embora nos números ainda sejamos minorias. Um pequeno grupo de minorias dentro de outras minorias.
Acredito que o segredo de qualquer relação justa seja o respeito, e que o ideal de ser humano é a evolução.
A vida não deve ser incômoda para ninguém e deveríamos desenvolver toda a capacidade dos hemisférios cerebrais, certo?
São destros, canhotos, e sequer falei dos ambidestros. Das pessoas que não escrevem, das que trabalham com isso, e das culturas que escrevem da direita para esquerda.
Entender que viver em sociedade é unir maiorias e minorias é um passo grande para suportar tudo o que vemos por aí. Na execução da teoria, tudo se mistura; não tem como ser fácil.
Em suma, importante é saber o valor próprio e do próximo. Conhecer nossos limites e deixar que os dos outros existam. É daí que nasce o direito das coisas. A democracia, quando seguimos o conselho.
Convivência é assim; receber para ceder.
Mas como isto não é um consenso, sigamos nosso caminho, sendo nós mesmos e, de preferência, sorrindo.
Até porque se eu fosse reclamar de cada falta de destreza que vejo por aí, seria bem rabugenta.

Canhoto tem que ser otimista e ver sempre o lado bom das coisas.









eu me viro bem melhor
quando tá mais pra bom 
do que pra mim

2 de julho de 2014

A la Hércules Barsotti

[cheio]
vazio

[chei]
vazio

[che]
vazio

[ch]
vazio

[c]
vazio

[ ]
vazio

[
   ]
vazio

[vazio]

25 de junho de 2014

Tirinha

30 de maio de 2014

Eu no mundo

me tateio
macia
de pinta
e tatuada

meus sabores
são queijo
com goiabada

me recheio
de livro
vento
cores quentes

meus passos
são outros
orientes

meu anseio
o tardar
o querer
sentimento raso

meus dias
são todos
acasos

28 de maio de 2014

stuff





schiele, autorretrato,1910


dean e sinatra no aeroporto

pornhub comments



<3 p="">


moses, frida kahlo, 1945

the future of statues, magritte, 1937 (escultura)

por que fue sensible, da série los caprichos, fernando goya, 1799


bicho, lygia clark, 1960, escultura


city, rene portocarrero, 1954


landscape of havana (!!!!), rene portocarrero, 1969


o labirinto de chartres, situado na frança. as pessoas percorrem o labirinto em pé ou de joelhos. apesar de estar dentro de uma catedral, seu motivo não é estreitamente cristão. acredita-se que, ao percorrer o labirinto, participa-se de um ritual de nova era, onde os pagãos acreditavam renovar as energias e buscar reflexões e mudanças sobre si mesmo.
uma senhora muito bonita me disse que percorreu o labirinto e chorou muito, até o final dele. dizia que, quando pensava estar no final, estava no começo. aprendeu a atentar-se com a situação atual das coisas, e não às posterioridades. independente de crença, jornadas espirituais têm sido bem interessantes para mim.





e adoniran, porque ando muito da maloca esses dias.

18 de maio de 2014

colcheia

e neste domingo
aprendi a solidão
pergunto "vai chover?"
responde o trovão

nada é muito
silencioso no mundo
quando estamos calados

tudo é óbvio
extraordinário, profundo
quando estamos em pausa.

https://www.youtube.com/watch?v=hfUgAv2Yew4

14 de maio de 2014

Como a Si Mesmo



Talvez, os psicopatas que mataram Gandhi e John Lennon só quisessem testar o limite do Amor.


9 de maio de 2014

O dono do meu amor

quero escrever
sobre o tempo
ponto e vírgula
e coisas feias

mas qual é
o sentimento
da cadência
em teias?

quero pintar
planta
caravaggio
e proporção

mas qual é 
a vontade
da cadência
em coleção?

quero ver
o galho do macaco
a cor do burro
e o fogo no circo

mas quem é
o dono 
do perigo? 


de não ser metade
pedir perdão
deixo cadências
e sou descobridor

do universo em gente
figura fulgente... ah!

agora, só sei apreciar
o dono do meu amor.


 "jurei, até
que essa não seria pra você
e agora é"

1 de maio de 2014

Carinhoso

I

(...)
E então, você chega nas coxas.
Naquela linha curva, cheia, que contorna as pernas. Entre as pernas.
Esse é o meu pedaço favorito dele.

II

- Sabe quando eu sei que você tá em casa?
- Quando tem sapato na sala?
- Não, quanto tá com cheiro de café.

III

- Oi!
- Nossa, você tá tão bonita hoje.

29 de abril de 2014

Luv is a two way thing

"And, yeah, I do lose myself in her,
and I can tell she's losing herself in me.
And we're just, fucking... Lost together"

17 de abril de 2014

Anadotas de Ícaro

Ícaro tem quatro anos.

I

Vestido de Spiderman (seu super-herói favorito), me dá um beijo ao nos encontrarmos.
- Cê é o Homem-Aranha, é?
- Cê não tá vendo?

II

Brincando de esconde-esconde debaixo do bloco, Ícaro corre pra bem longe. Eu corro atrás dele.
- Estamos perdidos! - ele grita
- Onde nós estamos? - pergunto. Ícaro dá um giro de 360 graus:
- Aqui!

III

Ao acordar:
- Pai, você é o Homem Aranha preto e eu sou o Homem Aranha vermelho.
- Você é quem?
- Eu sou o Ícaro, pai...

IV

Perguntam:
- O que você quer ser quando crescer, Ícaro?
- Artista, igual meu pai.

12 de abril de 2014

Juntos

usai de nós
ao construir a ponte
eles são muitos

mas sumiremos no horizonte