Margie diz para Lisa e Bart: e não aceitem doces de estranhos!
Homer diz para Margie: Querida, eles são humanos.
Por incrível que pareça (ou não), isso me fez repensar sobre meus conceitos de "humano". Mas eles não mudaram.
8 de maio de 2010
6 de maio de 2010
pascoale
um ponto final aqui, uma exclamação ali, uma vírgula no lugar errado.
e assim fazemos nossa história, do jeito coloquial, do jeito culto, do jeito analfabeto.
um advérbio pouco usado, um verbo inventado, um substantivo amigo.
ser alegre nunca foi tão fácil.
gramática, regras, coerência, concordância, susbstantivo próprio;
nunca foi alegre por ser tão fácil.
e assim fazemos nossa história, do jeito coloquial, do jeito culto, do jeito analfabeto.
um advérbio pouco usado, um verbo inventado, um substantivo amigo.
ser alegre nunca foi tão fácil.
gramática, regras, coerência, concordância, susbstantivo próprio;
nunca foi alegre por ser tão fácil.
25 de abril de 2010
Do verbo haver nas estações
Como folhas no outono, como folhas de outono no verão.
Como se o sol continuasse lá: intacto, radiante. E as folhas, esperassem a hora de cair.
E sem ansiedade nenhuma, sem nenhuma expressão, elas caem, mudando de posição: separam-se.
O sol não. O sol continua lá. Dá 6hrs da tarde, ele muda de posição. Mas não se separa de ninguém: quem não tem o sol desenhado em algum lugar?
Todo mundo "normal" tem uma perspectiva igual do sol: amarelo, cheio de raios. Gosto de desenhar o sol com óculos e um sorriso, que nem as crianças. Minha perspectiva do sol é igual a delas.
Mas ninguém tem uma perspectiva igual sobre uma folha voando no outono.
Poucos conseguem desenhar uma folha voando no outono, do jeito que imaginam.
Haja treino para desenhar toda a borda, delineadinha, cheia de cortes. Haja treino pra conseguir o lápis de cor no tom igual ao de uma folha seca, haja treino.
Mas que também haja imaginação.
Nós nos esquecemos, que quem, a princípio, a secou, foi o sol. Aquele mesmo, que continua intacto, se movendo lentamente, mesmo assim, em seu lugar, esperando dar 6 horas.
Haja horas.
Haja outonos.
Como se o sol continuasse lá: intacto, radiante. E as folhas, esperassem a hora de cair.
E sem ansiedade nenhuma, sem nenhuma expressão, elas caem, mudando de posição: separam-se.
O sol não. O sol continua lá. Dá 6hrs da tarde, ele muda de posição. Mas não se separa de ninguém: quem não tem o sol desenhado em algum lugar?
Todo mundo "normal" tem uma perspectiva igual do sol: amarelo, cheio de raios. Gosto de desenhar o sol com óculos e um sorriso, que nem as crianças. Minha perspectiva do sol é igual a delas.
Mas ninguém tem uma perspectiva igual sobre uma folha voando no outono.
Poucos conseguem desenhar uma folha voando no outono, do jeito que imaginam.
Haja treino para desenhar toda a borda, delineadinha, cheia de cortes. Haja treino pra conseguir o lápis de cor no tom igual ao de uma folha seca, haja treino.
Mas que também haja imaginação.
Nós nos esquecemos, que quem, a princípio, a secou, foi o sol. Aquele mesmo, que continua intacto, se movendo lentamente, mesmo assim, em seu lugar, esperando dar 6 horas.
Haja horas.
Haja outonos.
19 de abril de 2010
pessimismo de segunda
É vergonhoso dizer que às vezes, quando o tempo tá abafado, quando tem gás carbônico no meu rosto, quando as pessoas insistem em dizer discretamente que eu ando na contramão... Eu continuo sonhando.
E imagino diálogos, abraços, sorrisos, ventos no rosto, quando tudo que eu sinto são os ombros das outras pessoas encostando nos meus. Eu continuo na contramão.
E volto para casa, às 01h30 da tarde, com fome, com calor, com cansaço físico e moral. Mas, quem liga, eu continuo sonhando.
Só porque as coisas estão indo muito bem, e eu estou feliz com elas, eu sonho o dia inteiro. Não faz muito sentido: as coisas estão indo bem, deveria vivê-lás! Mas acho que jeito de ser feliz mesmo, sem entender bulhufas do que seu futuro vai fazer contigo, é sair de si.
É pensar que ficar na contramão é mais legal, e não se achar superior com isso.
Achar que o teu futuro não vai ser igual ao dos outros, e que isso era tudo o que você queria.
Mas de repente, você acorda.
E cai.
E lembra que a vida tem altos e baixos, e depois de um "alto", vem "um baixo".
E dá medo de que você volte a sonhar nos ombros das pessoas de novo, porque, depois de "um alto" vem "um baixo", e os baixos costumam ser tão ruins.
Talvez só porque sejam como uma âncora.
Que coloquem seus pés no chão.
E imagino diálogos, abraços, sorrisos, ventos no rosto, quando tudo que eu sinto são os ombros das outras pessoas encostando nos meus. Eu continuo na contramão.
E volto para casa, às 01h30 da tarde, com fome, com calor, com cansaço físico e moral. Mas, quem liga, eu continuo sonhando.
Só porque as coisas estão indo muito bem, e eu estou feliz com elas, eu sonho o dia inteiro. Não faz muito sentido: as coisas estão indo bem, deveria vivê-lás! Mas acho que jeito de ser feliz mesmo, sem entender bulhufas do que seu futuro vai fazer contigo, é sair de si.
É pensar que ficar na contramão é mais legal, e não se achar superior com isso.
Achar que o teu futuro não vai ser igual ao dos outros, e que isso era tudo o que você queria.
Mas de repente, você acorda.
E cai.
E lembra que a vida tem altos e baixos, e depois de um "alto", vem "um baixo".
E dá medo de que você volte a sonhar nos ombros das pessoas de novo, porque, depois de "um alto" vem "um baixo", e os baixos costumam ser tão ruins.
Talvez só porque sejam como uma âncora.
Que coloquem seus pés no chão.
12 de abril de 2010
Sobre estar (ou apenas sentir-se) só
Dessas saudades estranhas que dão na gente, antes mesmo da noite virar madrugada. Aquelas saudades ansiosas, famintas, incessantes.
Dessas saudades que vem (e como vem!) 2 vezes no ano... Ou 2 vezes na semana.
Dessas saudades que convidam a nostalgia, a carência e o frio para dançar. Dançar até que o dia surja e, com força, empurre a lua pro outro lado do mundo. Para que a lua vá, e leve com ela todos aqueles que participaram dessa noite...
Dessa saudade.
Dessas saudades que vem (e como vem!) 2 vezes no ano... Ou 2 vezes na semana.
Dessas saudades que convidam a nostalgia, a carência e o frio para dançar. Dançar até que o dia surja e, com força, empurre a lua pro outro lado do mundo. Para que a lua vá, e leve com ela todos aqueles que participaram dessa noite...
Dessa saudade.
9 de abril de 2010
Cadê?
Eu não tenho tido muitas idéias boas para escrever ultimamente.
Só que eu passei aqui pra dizer que eu tô com saudade, e não queria que você sumisse - mas, principalmente, espero que você leia.
E pra dizer também, que eu tô com saudade do blog, e não queria que eu mesma sumisse do que é meu.
Então, quando eu terminar de tomar chá todas as noites da semana pra passar a insônia, eu apareço aqui de novo, mais psicopata e, quem sabe, apaixonada do que nunca.
Buenas
Só que eu passei aqui pra dizer que eu tô com saudade, e não queria que você sumisse - mas, principalmente, espero que você leia.
E pra dizer também, que eu tô com saudade do blog, e não queria que eu mesma sumisse do que é meu.
Então, quando eu terminar de tomar chá todas as noites da semana pra passar a insônia, eu apareço aqui de novo, mais psicopata e, quem sabe, apaixonada do que nunca.
Buenas
1 de abril de 2010
Confusão
Qual é o limite?
O Céu? O Inferno?
Passar em algum concurso público?
Capitalismo exagerado, concordar com Zeca Baleiro, estampar numa camiseta que "lugar de ser feliz não é supermercado"?
Tatuar 80% do corpo pra aparece num livro com capa metalizada?
Desejar feliz anirvesário na data errada?
Votar 50 vezes em alguém que você não conhece por causa de um programa de televisão?
Ser crédulo demais, achar que se dormir tarde demais, vai acordar e descobrir que foi abduzido?
Trabalhar até nos sábados e negar pra si mesmo que não está sendo consumido?
Comer chocolate demais, depois se culpar?
Culpar a chuva pra não ir à academia?
Ou não sair de casa pra não ficar na dúvida sobre um eu te amo que você ouviu, hoje, dia primeiro de abril?
O Céu? O Inferno?
Passar em algum concurso público?
Capitalismo exagerado, concordar com Zeca Baleiro, estampar numa camiseta que "lugar de ser feliz não é supermercado"?
Tatuar 80% do corpo pra aparece num livro com capa metalizada?
Desejar feliz anirvesário na data errada?
Votar 50 vezes em alguém que você não conhece por causa de um programa de televisão?
Ser crédulo demais, achar que se dormir tarde demais, vai acordar e descobrir que foi abduzido?
Trabalhar até nos sábados e negar pra si mesmo que não está sendo consumido?
Comer chocolate demais, depois se culpar?
Culpar a chuva pra não ir à academia?
Ou não sair de casa pra não ficar na dúvida sobre um eu te amo que você ouviu, hoje, dia primeiro de abril?
28 de março de 2010
Ícaro moderno.
- Mais alto! Mais alto! - gritava ela com um sorriso imenso, sentindo o vento no rosto delicado, de olhos fechados
- Isso é o máximo que eu consigo! Hahahaha! - dizia ele, em tom divertido, enquanto sentia o barulho das cordas enferrujadas do balanço em sincronia com os seus batimentos cardíacos
- Oras, você sempre conseguiu mais!
- Você sempre quer mais que as pessoas conseguem! - e ele empurrou com mais força, e a menina abriu os braços.
Caiu.
Fez barulho. A poeira se levantou, ela caiu em cima do braço.
Ele ficou preocupado. Seus batimentos cardíacos não estavam mais sincronizados com o barulho das cordas enferrujadas; eles estavam duas vezes mais rápidos.
Em uma fração de segundos, seus olhos leventemente ficaram arregalados ao não ouvir nenhum som depois da queda.
Ele, desesperadamente, corre para ajudá-la. Ela ainda estava respirando, abriu os olhos, e sorriu.
O sorriso dela continuava lindo.
Ele respirou fundo, e se acalmou.
"Está.. Tudo bem?" perguntou ele, com o maior receio de que não estivesse. Ele nunca gostou que as coisas não estivessem bem.
Ela riu. Ela riu muito. Riu desesperadamente; "você viu, garoto?", e continuou rindo.
Ele não entendeu. Mas riu um pouco, por consequência do riso dela.
Ela se levantou, tirou a poeira da roupa, e continuou sorrindo.
A curiosidade dele apertou.
- Por que... Você riu? Por que você está sorrindo?
- Você conseguiu me empurrar mais forte.
- Mas você caiu!
- Não, eu voei.
- Isso é o máximo que eu consigo! Hahahaha! - dizia ele, em tom divertido, enquanto sentia o barulho das cordas enferrujadas do balanço em sincronia com os seus batimentos cardíacos
- Oras, você sempre conseguiu mais!
- Você sempre quer mais que as pessoas conseguem! - e ele empurrou com mais força, e a menina abriu os braços.
Caiu.
Fez barulho. A poeira se levantou, ela caiu em cima do braço.
Ele ficou preocupado. Seus batimentos cardíacos não estavam mais sincronizados com o barulho das cordas enferrujadas; eles estavam duas vezes mais rápidos.
Em uma fração de segundos, seus olhos leventemente ficaram arregalados ao não ouvir nenhum som depois da queda.
Ele, desesperadamente, corre para ajudá-la. Ela ainda estava respirando, abriu os olhos, e sorriu.
O sorriso dela continuava lindo.
Ele respirou fundo, e se acalmou.
"Está.. Tudo bem?" perguntou ele, com o maior receio de que não estivesse. Ele nunca gostou que as coisas não estivessem bem.
Ela riu. Ela riu muito. Riu desesperadamente; "você viu, garoto?", e continuou rindo.
Ele não entendeu. Mas riu um pouco, por consequência do riso dela.
Ela se levantou, tirou a poeira da roupa, e continuou sorrindo.
A curiosidade dele apertou.
- Por que... Você riu? Por que você está sorrindo?
- Você conseguiu me empurrar mais forte.
- Mas você caiu!
- Não, eu voei.
25 de março de 2010
Vai ver se eu tô lá na esquina.
Eu sou só uma.
Possuo vários humores, talvez algumas mudanças breves de personalidade, mas eu sou só uma.
E não tô mais aguentando vocês, vocês todos, vocês mil.
E não é porque eu não tô aguentando mais vocês, que eu vou me trancar no banheiro e esperar que quebrem a porta à procura de mim. Mas é que uma hora eu vou quebrar a porta, à procura de mim mesma; vocês, às vezes, me bloqueiam.
Minha superstição me bloqueia mais ainda. As quarta-feiras nunca foram tão vantajosas, talvez, nem um pouco, e isso talvez faça com que as quintas fossem piores.
Ontem foi quarta.
Logo, hoje é quinta.
Essa diferença entre o "foi" e o "é", que vocês impõe sobre quem eu fui e quem sou, é que está me deixando mais... Atrapalhada.
Mais atrapalhada do que eu sou, do que eu já fui.
Eu sei que pouco converso, que sou um "pé na frente outro atrás", mas eu sei que eu também não sou assim. E não cabe a vocês, vocês mil, ficarem me impondo limites; um conjunto de leis foi criado há algum bom tempo, para que vocês não precisassem ficar me lembrando que eu não sei fazer linhas retas, e que eu não entendo matemática.
Então, vão ver se eu tô lá na esquina, e no caminho pra lá, tentem enxergar coisas boas no mundo.
É fácil.
E você sabe muito bem que esse post foi pra você.
Possuo vários humores, talvez algumas mudanças breves de personalidade, mas eu sou só uma.
E não tô mais aguentando vocês, vocês todos, vocês mil.
E não é porque eu não tô aguentando mais vocês, que eu vou me trancar no banheiro e esperar que quebrem a porta à procura de mim. Mas é que uma hora eu vou quebrar a porta, à procura de mim mesma; vocês, às vezes, me bloqueiam.
Minha superstição me bloqueia mais ainda. As quarta-feiras nunca foram tão vantajosas, talvez, nem um pouco, e isso talvez faça com que as quintas fossem piores.
Ontem foi quarta.
Logo, hoje é quinta.
Essa diferença entre o "foi" e o "é", que vocês impõe sobre quem eu fui e quem sou, é que está me deixando mais... Atrapalhada.
Mais atrapalhada do que eu sou, do que eu já fui.
Eu sei que pouco converso, que sou um "pé na frente outro atrás", mas eu sei que eu também não sou assim. E não cabe a vocês, vocês mil, ficarem me impondo limites; um conjunto de leis foi criado há algum bom tempo, para que vocês não precisassem ficar me lembrando que eu não sei fazer linhas retas, e que eu não entendo matemática.
Então, vão ver se eu tô lá na esquina, e no caminho pra lá, tentem enxergar coisas boas no mundo.
É fácil.
E você sabe muito bem que esse post foi pra você.
20 de março de 2010
crescer.
20 de março. 21h55 da noite.
Uma tempestade cai do nada. É água caindo do céu. Mas não é só água caindo do céu. Tem vento, vento frio, vem gotas, gotas pesadas, e vem nostalgia.
E, fico até pasma de quanta nostalgia vem.
Ele entra na sala, acende um cigarrro. Levanto os olhos, levanto a sombrancelha direita, abaixo os olhos, abaixo a sombrancelha direita. Tomo a ousadia de me pronunciar:
- Você não está fumando aqui. Né?
- A casa é minha também. Qual é o problema?
- O meu pulmão.
- O que tem o seu pulmão?
- Quem vai pagar o tratamento é você, chefia.
- Por que eu? Você não é tão independente assim?
- Você que o intoxicou.
- Já intoxiquei?
- Você fuma há mais de 14 anos. Se brincar, já até intoxicou o cara que trabalha no cubículo ao lado do seu.
- Ele fuma também.
- Desnecessário.
- É. - disse ele, com um ponto final bem nítido, querendo terminar a discussão. Mas hoje, eu queria discutir. Minha mente precisava discutir com algo que eu não estava mais suportando.
- Você ainda está aqui?
- Estou, eu moro aqui.
- Desculpe-me. Você ainda está fumando aqui?
- Estou.
- Vai ficar implicando?
- Vou.
- Cresce.
- Você nem fez 18 ainda.
- Eu sei. Você já passou dos 30 e ainda tá aí, precisando crescer. - ele ficou puto. Não sei porquê. Ele me desafia o tempo inteiro, e quando eu respondo, ele fica puto. Passou o vento. O cigarro apagou, e a nostalgia ficou de novo. Meu celular toca, eu nem penso em atender. Eu nem quero atender.
- Não vai atender, menina?
- Não, menino.
- Meninos não fumam.
- Os meninos de hoje não são os mesmos de ontem, se é que me entende.
- Entendo.
- Que bom. - o cigarro apagou de novo. Ele ainda permanecia sentado na cadeira da frente, me vendo digitar um relatório de biologia. Eu já não suportava mais fazer aquele relatório. Eu já não suportava mais o cheiro daquele cigarro reacendido, nem daquela voz, me cutucando no ombro. Aquela voz que dizia "a nostalgia me pegou também. Eu estou carente".
- Tá fazendo o quê aí?
- Tentando filtrar o ar com a mente.
- Digitando?
- E fazendo um relatório sobre isso.
- É.
- Você ainda está fumando aqui?
- Não mais.
- Quem está, então?
- Você. Passivamente.
- Se eu colocar "fumo excessivamente" no Orkut, você também vai implicar?
- Vou.
- Por que?
- Porque eu sou seu pai.
Família.
Uma tempestade cai do nada. É água caindo do céu. Mas não é só água caindo do céu. Tem vento, vento frio, vem gotas, gotas pesadas, e vem nostalgia.
E, fico até pasma de quanta nostalgia vem.
Ele entra na sala, acende um cigarrro. Levanto os olhos, levanto a sombrancelha direita, abaixo os olhos, abaixo a sombrancelha direita. Tomo a ousadia de me pronunciar:
- Você não está fumando aqui. Né?
- A casa é minha também. Qual é o problema?
- O meu pulmão.
- O que tem o seu pulmão?
- Quem vai pagar o tratamento é você, chefia.
- Por que eu? Você não é tão independente assim?
- Você que o intoxicou.
- Já intoxiquei?
- Você fuma há mais de 14 anos. Se brincar, já até intoxicou o cara que trabalha no cubículo ao lado do seu.
- Ele fuma também.
- Desnecessário.
- É. - disse ele, com um ponto final bem nítido, querendo terminar a discussão. Mas hoje, eu queria discutir. Minha mente precisava discutir com algo que eu não estava mais suportando.
- Você ainda está aqui?
- Estou, eu moro aqui.
- Desculpe-me. Você ainda está fumando aqui?
- Estou.
- Vai ficar implicando?
- Vou.
- Cresce.
- Você nem fez 18 ainda.
- Eu sei. Você já passou dos 30 e ainda tá aí, precisando crescer. - ele ficou puto. Não sei porquê. Ele me desafia o tempo inteiro, e quando eu respondo, ele fica puto. Passou o vento. O cigarro apagou, e a nostalgia ficou de novo. Meu celular toca, eu nem penso em atender. Eu nem quero atender.
- Não vai atender, menina?
- Não, menino.
- Meninos não fumam.
- Os meninos de hoje não são os mesmos de ontem, se é que me entende.
- Entendo.
- Que bom. - o cigarro apagou de novo. Ele ainda permanecia sentado na cadeira da frente, me vendo digitar um relatório de biologia. Eu já não suportava mais fazer aquele relatório. Eu já não suportava mais o cheiro daquele cigarro reacendido, nem daquela voz, me cutucando no ombro. Aquela voz que dizia "a nostalgia me pegou também. Eu estou carente".
- Tá fazendo o quê aí?
- Tentando filtrar o ar com a mente.
- Digitando?
- E fazendo um relatório sobre isso.
- É.
- Você ainda está fumando aqui?
- Não mais.
- Quem está, então?
- Você. Passivamente.
- Se eu colocar "fumo excessivamente" no Orkut, você também vai implicar?
- Vou.
- Por que?
- Porque eu sou seu pai.
Família.
12 de março de 2010
Ausente; fui dançar.
Ultimamente, tenho sentido uma vontade absurda de dançar.
Dançar por horas seguidas, dançar subindo e descendo as escadas, dançar até escovando o dente. E, sinceramente, sabe Deus, lá, porquê.
Tento fazer isso, mas as pessoas dizem que é ridículo.
É ridículo, porque eu não sei dançar. Acho que só xote, mas xote é de par, e eu não formo um par.
Ultimamente, tenho aparecido menos pras pessoas.
Era mais grudada nelas, talvez, gostasse mais delas, queria tê-las por mais tempo, e hoje, nem faço mais tanta questão assim.
Não sumo por querer. Os dias passam, as dificuldades aumentam. O jeito é arrumar 1 dia pra facilitar umas 2, no minimo, dificuldades.
Queria dizer que tenho sumido por estar dançando. Dançando por todos os lados, dançando na calçada do engraxate, dançando, dançando, até os pés cansarem.
Mas lógico que se eu dissesse isso eles iam achar legal.
O problema, é que eu não sei dançar.
E eles sabem disso, eles sabem que eu danço mal.
Por isso que é ridículo.
Porque é ridículo dançar sozinho, ainda mais quando não se sabe dançar.
Mas quando você some pra aprender a dançar, as pessoas reclamam.
E você fica confuso; quem, nesta dança, nesta vida, neste inspiro, está ao nosso lado?
Porque é ridículo dançar sozinho, ainda mais quando não se sabe dançar.
Mas quando você some pra aprender a dançar, as pessoas reclamam.
E você fica confuso; quem, nesta dança, nesta vida, neste inspiro, está ao nosso lado?
28 de fevereiro de 2010
A Wolf at the door
Morte.
Adoro falar dela.
Já encarei algumas na minha vida. Umas duas foram realmente dolorosas, outras, só foram perdas. É que às vezes não dói perder.
Aprendemos desde criança (pelo menos onde passei minha infância) a não tratar as pessoas como objetos. Mas e quando elas morrem? Elas viram ossos. Isso é um objeto? Isso é o quê?
Ossos são a essência da coisa?
Aprendi desde criança que é a alma. Mas, desculpe, tenho que discordar. São as lembranças.
Para você pouco importa a alma dela. A cor dela.
Pouco importa quando ela morre.
O que fica são as lembranças. Por isso dói.
Porque a essência sempre fica mais colorida. A gente lembra de coisas que não lembrava.
Passa a lembrar pra quê foi usado o objeto.
Aprendemos quando criança que nascemos, crescemos, reproduzimos, e, finalmente, morremos.
Aprendemos um pouco mais velhos que nascemos, crescemos, trabalhamos, aposentamos, e, finalmente morremos.
E quando estamos adolescentes só lembramos que nascemos, e que estamos crescendo.
Criança tem medo da morte.
Têm medo da perda.
Demorou um tempo pra eu perder o medo da perda.
Não deveríamos ter medo, em nenhuma fase da vida, de perder. Seja lá o que for pra ser perdido.
Não deveríamos ter medo de perder nenhuma fase da vida.
Não deveríamos perder uma fase da vida por causa de medo.
Mas nós crescemos.
E o medo cresce junto com a gente.
Ainda lembro de quando o medo era só uma sombra na parede.
Adoro falar dela.
Já encarei algumas na minha vida. Umas duas foram realmente dolorosas, outras, só foram perdas. É que às vezes não dói perder.
Aprendemos desde criança (pelo menos onde passei minha infância) a não tratar as pessoas como objetos. Mas e quando elas morrem? Elas viram ossos. Isso é um objeto? Isso é o quê?
Ossos são a essência da coisa?
Aprendi desde criança que é a alma. Mas, desculpe, tenho que discordar. São as lembranças.
Para você pouco importa a alma dela. A cor dela.
Pouco importa quando ela morre.
O que fica são as lembranças. Por isso dói.
Porque a essência sempre fica mais colorida. A gente lembra de coisas que não lembrava.
Passa a lembrar pra quê foi usado o objeto.
Aprendemos quando criança que nascemos, crescemos, reproduzimos, e, finalmente, morremos.
Aprendemos um pouco mais velhos que nascemos, crescemos, trabalhamos, aposentamos, e, finalmente morremos.
E quando estamos adolescentes só lembramos que nascemos, e que estamos crescendo.
Criança tem medo da morte.
Têm medo da perda.
Demorou um tempo pra eu perder o medo da perda.
Não deveríamos ter medo, em nenhuma fase da vida, de perder. Seja lá o que for pra ser perdido.
Não deveríamos ter medo de perder nenhuma fase da vida.
Não deveríamos perder uma fase da vida por causa de medo.
Mas nós crescemos.
E o medo cresce junto com a gente.
Ainda lembro de quando o medo era só uma sombra na parede.
25 de fevereiro de 2010
Os olhos são a janela da alma
O que você ainda espera da vida?
Que desça as escadas e perca o All Star, que alguém ache e procure, por quem será que tem aquele número perfeitamente proporcional?
Que você passe de primeira num vestibular, faça a faculdade com um sorriso na cara o ano inteiro, e que arranje um emprego logo que sair?
Que todo mundo vai se apaixonar por você só porque você conhece Freud?
Ou que você tem futuro só por achar que tem futuro?
Que rezando você consegue alguma coisa?
Que gênios na lâmpada existem?
Que a Física vai te puxar pra realidade?
Que, afinal, você saiba o que é realidade?
A realidade é que são 21h:46. E acho que esse, o tempo, é o limite de realidade que o homem pode ter. Nada mais de moléculas, acordes, adjetivos, sorrisos. A minha realidade não é o seu sorriso.
É a sinceridade com que eu o retribuo.
E essa sinceridade não é nada mais e nada menos do que a retribuição automática desse sorriso.
Mesmo sem você sorrir.
O que você espera da vida?
Que eu sorria sempre?
Que desça as escadas e perca o All Star, que alguém ache e procure, por quem será que tem aquele número perfeitamente proporcional?
Que você passe de primeira num vestibular, faça a faculdade com um sorriso na cara o ano inteiro, e que arranje um emprego logo que sair?
Que todo mundo vai se apaixonar por você só porque você conhece Freud?
Ou que você tem futuro só por achar que tem futuro?
Que rezando você consegue alguma coisa?
Que gênios na lâmpada existem?
Que a Física vai te puxar pra realidade?
Que, afinal, você saiba o que é realidade?
A realidade é que são 21h:46. E acho que esse, o tempo, é o limite de realidade que o homem pode ter. Nada mais de moléculas, acordes, adjetivos, sorrisos. A minha realidade não é o seu sorriso.
É a sinceridade com que eu o retribuo.
E essa sinceridade não é nada mais e nada menos do que a retribuição automática desse sorriso.
Mesmo sem você sorrir.
O que você espera da vida?
Que eu sorria sempre?
19 de fevereiro de 2010
retrucando
A lei diz pra você não matar
E não importa o quão sem paciência você esteja.
Não saia matando ninguém porque sua cidade não é a mesma
Não saia matando ninguém porque seu Governador foi preso
Não saia matando ninguém porque bateu a canela na mesa
E só mate alguém tendo a consciência de que você se importa com a lei
Mas ela não se importa com você
E só mat alguém tendo a consciência de que você não se importa com essa pessoa
Mesmo que ela talvez se importe com você.
Quantas vezes não agimos como a lei?
Quantas vezes não agimos contra a lei?
Quantas vezes não agimos?
E não importa o quão sem paciência você esteja.
Não saia matando ninguém porque sua cidade não é a mesma
Não saia matando ninguém porque seu Governador foi preso
Não saia matando ninguém porque bateu a canela na mesa
E só mate alguém tendo a consciência de que você se importa com a lei
Mas ela não se importa com você
E só mat alguém tendo a consciência de que você não se importa com essa pessoa
Mesmo que ela talvez se importe com você.
Quantas vezes não agimos como a lei?
Quantas vezes não agimos contra a lei?
Quantas vezes não agimos?
17 de fevereiro de 2010
3 perguntas piores do que o nucleo
Simplesmente é. Não deveria ser, mas é. E quem disse que não deveria ser?
Eu não criei o universo. Eu não criei nem o meu próprio universo.
E quem disse que eu deveria criar?
Criatividade é algo pra pensar, pra imaginar, ou até mesmo, pra fingir esquecer.
E fingir esquecer é tão poético.
Por que você não vê por esse lado quando está chorando?
Por que você não se quer cria coisas que podem fazer você parar de fingir?
Por que, afinal, você quer esquecer?
*adicione aqui o cogumelo atômico da morte*
Eu não criei o universo. Eu não criei nem o meu próprio universo.
E quem disse que eu deveria criar?
Criatividade é algo pra pensar, pra imaginar, ou até mesmo, pra fingir esquecer.
E fingir esquecer é tão poético.
Por que você não vê por esse lado quando está chorando?
Por que você não se quer cria coisas que podem fazer você parar de fingir?
Por que, afinal, você quer esquecer?
*adicione aqui o cogumelo atômico da morte*
12 de fevereiro de 2010
Rock around the clock tonight.
A vida é longa, o dia é curto, as horas entendiadas, os minutos passageiros, os segundos invisíveis, os anos inesquecíveis, as décadas históricas, os milênios uma nova vida, as noites poéticas, e você, preocupado.
7 de fevereiro de 2010
No Rain.
| All I can say is that my life is pretty plain I like watchin' the puddles gather rain And all I can do is just pour some tea for two and speak my point of view But it's not sane, It's not sane | ||||||||||
| I just want someone to say to me, oh oh oh oh I'll always be there when you wake You know I'd like to keep my tears dry today So stay with me and I'll have it made | ||||||||||
| And I don't understand why I sleep all day And I start to complain that there's no rain And all I can do is read a book to stay awake And it rips my life away, but it's a great escape! Escape, escape, escape. | Queria ter escrito essa letra. Pro Pedro, que diz que fugir é necessário. |
2 de fevereiro de 2010
To see if I still feel.
Os seres humanos são animais engraçados. Mais engraçados do que aqueles lagartos verdes que andam na água que você viu hoje, no Discovery. São animais engraçados, porque têm memória independente de trauma, mas dependente de momento.
Sinceramente, se você me perguntar o que foi que eu comi no jantar na segunda-feira passada, eu não saberei responder. Porém, se você perguntar o que eu coi na segunda-feira, aniversário do Rafael, a última segunda-feira de 2009, eu saberei responder. Porque foi o momento daquela segunda-feira.
Os seres humanos são animais engrçados porque são diferentes. E por assim serem, têm momentos diferentes. E pensamentos diferentes, em horas diferentes, e às vezes, horas erradas. Essas horas marcam aquele momento.
Pessoas são animais engraçados porque pensam. Descartes esqueceu que era um animal quando disse "penso logo, existo". Descartes esqueceu dos animais quando disse "penso logo, existo". Descartes se tornou (no sentido figurado - ou não tanto assim) um animal quando disse "penso logo, existo".
Maçãs não pensam.
E elas existem.
E mesmo (concordando com Sartre em A Imaginação) elas existam para os seres humanos, que pensam, ela continua não pensando.
Mesmo que Descartes tenha dito "Penso logo, existo" no sentido figurado, ele esqueceu de especificar, e esqueceu que, como seres humanos são animais engraçados, poderiam interpretar de forma mais engraçada ainda.
Bom, se ele falou isso no sentido figurado, alguns autores de livros de filosofia e história eram bem engraçados.
Seres humanos são animais engraçados porque interpretam. E têm seu medo de interpretar a partir de suas diferenças, seus momentos, seus pensamentos, seus dizeres, vontades, e, principalmente, sentimento.
Pessoas são seres engraçados porque sentem. Mas, principalmente, se apaixonam.
Paixão é analgésica, alucinógena, deprimente, causa dependência, tira pedaço, mata um pouco, mas todo mundo quer sentir. Mesmo sabendo, ou esquecendo que aquilo pode machucar, eles prezam por minutos de felicidade com aquele ser humano, aquele outro "animal engraçado".
Mesmo sabendo que seres humanos são animais engraçados porque (se) machucam.
Obs. I: E pessoas são como paixão. Você sempre quer sentir de novo.
Obs. II: Feliz fevereiro.
Sinceramente, se você me perguntar o que foi que eu comi no jantar na segunda-feira passada, eu não saberei responder. Porém, se você perguntar o que eu coi na segunda-feira, aniversário do Rafael, a última segunda-feira de 2009, eu saberei responder. Porque foi o momento daquela segunda-feira.
Os seres humanos são animais engrçados porque são diferentes. E por assim serem, têm momentos diferentes. E pensamentos diferentes, em horas diferentes, e às vezes, horas erradas. Essas horas marcam aquele momento.
Pessoas são animais engraçados porque pensam. Descartes esqueceu que era um animal quando disse "penso logo, existo". Descartes esqueceu dos animais quando disse "penso logo, existo". Descartes se tornou (no sentido figurado - ou não tanto assim) um animal quando disse "penso logo, existo".
Maçãs não pensam.
E elas existem.
E mesmo (concordando com Sartre em A Imaginação) elas existam para os seres humanos, que pensam, ela continua não pensando.
Mesmo que Descartes tenha dito "Penso logo, existo" no sentido figurado, ele esqueceu de especificar, e esqueceu que, como seres humanos são animais engraçados, poderiam interpretar de forma mais engraçada ainda.
Bom, se ele falou isso no sentido figurado, alguns autores de livros de filosofia e história eram bem engraçados.
Seres humanos são animais engraçados porque interpretam. E têm seu medo de interpretar a partir de suas diferenças, seus momentos, seus pensamentos, seus dizeres, vontades, e, principalmente, sentimento.
Pessoas são seres engraçados porque sentem. Mas, principalmente, se apaixonam.
Paixão é analgésica, alucinógena, deprimente, causa dependência, tira pedaço, mata um pouco, mas todo mundo quer sentir. Mesmo sabendo, ou esquecendo que aquilo pode machucar, eles prezam por minutos de felicidade com aquele ser humano, aquele outro "animal engraçado".
Mesmo sabendo que seres humanos são animais engraçados porque (se) machucam.
Obs. I: E pessoas são como paixão. Você sempre quer sentir de novo.
Obs. II: Feliz fevereiro.
30 de janeiro de 2010
Post de auto-ajuda. Post de auto-conhecimento.
Você é perfeito.
Digamos que você seja um semi-deus.
Bom, todos eles são perfeitos (mesmo que todos tenham o seu "calcanhar de Aquiles". Porque quando se é um semi-deus, os seus defeitos somem diante duma qualidade).
Você é um semi-deus, porque deve considerar seus pais heróis, e todos os heróis são deuses, sejam eles Batmans ou Tex da vida. (Tex é deus também, oras!)
Consequentemente, você é filho de heróis. Você é perfeito.
E digamos que você não considere seus pais heróis. O herói da história vira você.
Você continua sendo perfeito.
Todo mundo conhece alguém que diga "nossa, como você é perfeito", e esse alguém ama tudo o que você odeia em si mesmo.
Você continua sendo perfeito.
E, suponhamos que você esteja no meio do nada, sem nada nem ninguém, e você seja a única coisa que existe, e por ser a única coisa que existe, você é perfeito!
Agora, acredite nisso, e pare de encher o saco.
Digamos que você seja um semi-deus.
Bom, todos eles são perfeitos (mesmo que todos tenham o seu "calcanhar de Aquiles". Porque quando se é um semi-deus, os seus defeitos somem diante duma qualidade).
Você é um semi-deus, porque deve considerar seus pais heróis, e todos os heróis são deuses, sejam eles Batmans ou Tex da vida. (Tex é deus também, oras!)
Consequentemente, você é filho de heróis. Você é perfeito.
E digamos que você não considere seus pais heróis. O herói da história vira você.
Você continua sendo perfeito.
Todo mundo conhece alguém que diga "nossa, como você é perfeito", e esse alguém ama tudo o que você odeia em si mesmo.
Você continua sendo perfeito.
E, suponhamos que você esteja no meio do nada, sem nada nem ninguém, e você seja a única coisa que existe, e por ser a única coisa que existe, você é perfeito!
Agora, acredite nisso, e pare de encher o saco.
27 de janeiro de 2010
Otimismo de verão
Pra tomar vacina, a gente aprende a usar os pensamentos felizes como entorpecentes. Como anestesia.
Só que todo momento feliz vem seguido de um triste.
Por que não fazer o contrário?
There a lot of people who call you by your name. But there is only one person who can make it sound so damn special.
Só que todo momento feliz vem seguido de um triste.
Por que não fazer o contrário?
There a lot of people who call you by your name. But there is only one person who can make it sound so damn special.
24 de janeiro de 2010
O Caso da Coisa
Há alguns anos, numa pequena cidade do interior de Minas Gerais, os jornais estamparam suas capas com a foto de uma Coisa. Ninguém sabia direito o que era aquilo, mas todos tinham uma hipótese. Possuia o tamanho semelhante ao de uma tampa de garrafa de cerveja, e tinha várias cores, vários tons. Consequentemente, vários nomes. Alguns a chamaram de "aquilo", outras de "isso". Mas como nome é substantivo, ficou sendo "Coisa".
A cidade inteira ficou curiosa para saber o que era aquilo, porém, a curiosidade permaneceu por um bom tempo até definirem o que era aquela Coisa. Porém, nem os cientistas que ali apareceram de repente, conseguiram descobrir.
- Mas esses caras são esquizofrênicos! Não veem que isso já não tem vida?! Isso é uma Coisa! E não há nada mais para descobrir! - declarou seu Ricardo
- Mas isso é História, seu Ricardo!
- O fato ou a Coisa? - perguntou Manoel, dono da padaria.
- Os dois! - respondeu D. Fátima, cheia de certeza.
- Pois eu concordo e discordo. Concordo que seja sim um fato histórico, mas para a vida de cada um de nós! Esse caso na vai aparecer no Jornal das 20hrs, e mesmo que aparecesse, seria depois da reportagem de 30 min sobre os benefícios do abacaxi. E, oras, essa coisa não é histórica! Ela não tem boca para falar de qual época veio! Ela nem tem vida!
- Ave Maria, seu Ricardo - aborreceu-se D. Fátima - Os livros não têm boca, ou se quer vida, e falam!
- Eles foram escritos por alguém que possuia as duas coisas. E meu argumento é tão válido, que a senhora só discordou porque meu discurso não foi tão poético quanto a sua frase. Hunf!
- Olha aqui, seu Ricardo...
- Olha aqui a senhora! -interrompeu - Eu hein!
- Acalmem-se! Se querem brigar, briguem fora da minha padaria! - impôs Manoel - Onde já se viu?
Aquele final de tarde foi como todos os outros para D. Fátima, seu Ricardo, Manoel, e para todas as outras pessoas da cidade.
05hrs da manhã. A cidade ainda dormia quando duas caminhonetes invadiram a pequena cidade à procura de uma Coisa.
- Você achou, Francisco?
- Não, chefe.
- Vamos ter que ir ao prefeito, então.
- Hoje?
- Não, imbecil - retrucou o chefe - Amanhã.
- Mas "o amanhã" é hoje.
- Hã?
- São 5hrs da manhã, sabe? Então, tecnicamente...
- Ah, fique calado.
O chefe e Francisco dirigiram-se ao hotel, e passaram o resto da madrugada lá. Quando eram 14hrs, eles sairam do hotel e, chamando muita atenção por serem desconhecidos e por suas vestimentas diferentes, foram a escritório do prefeito.
- Olá. O que desejam? - o prefeito perguntou, desconfiado
- A Coisa.
- Que Coisa?!
- A Coisa, caramba! - disse o chefe, sem paciência
- Defina "Coisa".
- Coisa? Coisa é uma coisa sem definição!
- Mas deve ter forma, não?
- Mas não tem nome.
- A forma não tem nome?
- Não.
- Então a forma tem nome? - perguntou o prefeito
- Sim! Quer dizer, não! A forma não tem nome.
- Tem cor, ao menos?
- Branco.
- Ah, A Coisa é branca?
- Não.
- Ué! - expressou o prefeito, já sem muita paciencia de continuar aquilo
- Não tem cor..
- Então a coisa é transparente.
- Não! Tem todas as cores!
- Por que disse que é branco, então?
- A soma de todas as cores não é branca? - questionou o chefe
- Esqueça.
- E o tamanho?
- Mais ou menos assim - o chefe juntou o polegar e o indicador da mão direita - Sabe?
- Mas que diabos de Coisa é essa?!
- A Coisa!
- Assim fica difícil, amigo - confessou o prefeito.
- Chefe? - perguntou Francisco
- O que queres?
- Não é A Coisa que está estampada no jornal?
- Onde?
- Ali - Francisco apontou para o jornal que se encontrava no chão do canto da sala do prefeito - Olha...
- Isso! Isso! Isso é a coisa!
- Isso ou A Coisa? - perguntou o prefeito
- Não, isso É A Coisa! Aqui! Na capa do jornal!
- Aaaaaaaaah sim! OK... E para quê você quer isso?
- Porque eu...
- Eu não perguntei porquê. - interrompeu o prefeito - Perguntei para quê.
- Para eu deolver pro dono!
- Mas não é seu?
- Não, é do meu chefe.
- Mas você nao era o chefe?
- Todo chefe tem um chefe!
- Mas eu não sou chefe - disse Francisco
- Fique quieto. - retrucou o chefe - Só quero A Coisa de volta. Onde ela está?
- No museu. - respondeu o prefeito
- Vamos até lá. Agora.
Sem poder evitar, o prefeito acompanhou o chefe e Francisco até o museu. 2hrs depois, os três estavam dentro do museu, de frente pra Coisa, que estava dentro de um vidro sob um pedestal de madeira.
- Tenho nojo dessa Coisa - comentou o prefeito
- Por que? - perguntou o chefe
- Eca! Olha!
- Isso é normal.
- Não... - respondeu o prefeito - Não, pelo menos aqui.
- Bom. Posso levá-lo?
- Não.
- Por que? - o chefe admirou-se
- Isso tem uma taxa?
- Não...
- Pois agora tem. 200 reais.
- Tome, pobre coitado - disse o chefe enquanto tirava o dinheio do bolso -. Agora dê-me A Coisa.
- Aqui está.
- Eca! É nojento mesmo!
- É... - disse o prefeito, num tom meio irônico
- Então, podemos ir, chefe? - perguntou Francisco
- Segure isso! - disse o chefe entregando A Coisa para Francisco
- Eca! Eerr.. Eca.
- Oras, leve essa Coisa daqui. - ordenou o prefeito
- Não! É feia demais!
- É. Mas o seu chefe quer, não quer?
- Quer. Mas creio que ele goste de coisas mais bonitas.
- Oras... - Francisco pensou alto
- Prefeito, dê-me meus 200 reais.
- Dê-me A Coisa!
- Tome.
- Tome!
- Vamos, chefe?
- Vamos, Francisco.
O chefe saiu confuso do museu e levou consigo Francisco e as caminhonetes.
"O que vou fazer agora?" questinou o prefeito quando viu-se parado só, na porta do museu às 5h:25 da tarde. Foi até a recepção:
- Posso devolver A Coisa? - perguntou para a recepcionista do museu - Posso?
- Desculpe, prefeito. Isto já está registrado como vendido.
- Já? Quem registrou?
- Eu, prefeito. Afinal, você a vendeu para aquele senhor de bigodes.
- Oras! E desde quando se vende peças de museu, pra ter um caderno de registros e tudo?
- Desde quando o senhor aprovou o abaixoassinado que o seu Ricardo fez, dizendo que os objetos que aqui estão só têm valor Histórico, o que ele disse que não importa muito. Algo assim.
- Quando que eu aprovei isso? - perguntou o prefeito, apavorado - Quando?!
- No início da campanha, senhor.
- Nossa.
- É - concordou a recepcionista
- Boa noite. - o prefeito despediu-se
O prefeito saiu do museu e dirigiu-se à sua casa, onde chegou quando, finalmente, escureceu. Entrou em casa, fechou a porta e encostu na parede com A Coisa na mão. Andou em volta da mesa de madeira da sala, e às 18hrs em ponto, apoiou o braço direito na mesa e percebeu que estava bamba. Olhou pra o pé torto da mesa e pensou "por que não?". Abaixou-se lentamente. Com o braço direito, empurrou a mesa e colocou A Coisa no chão. Levantou-se, levantou a mesa com um pouco de esforço, e apoiou o pé torto sobre A Coisa. A mesa já não era mais bamba.
- Ufa - sussurou o prefeito
- O que foi? - perguntou a mulher do prefeito, penteando os cabelos
- Cansaço, querida, cansaço.
- Hm... Hoje fui cortar cabelo. Reparou na cor nova? É uma mistura de vermelho com marrom, que se chama vermelho amendoado e... O que é isso?
- Isso o quê?
- Essa Coisa debaixo da mesa.
- Ah, é A Coisa que não deixa a mesa bamba.
História fictícia, feita em parceria com dona Marianna. Não quis insinuar nada sobre os mineiros, os prefeitos, os chefes, os Franciscos, e nhe nhe nhe.
OBS.: O post do dia anterior não é uma frase ateia.
A cidade inteira ficou curiosa para saber o que era aquilo, porém, a curiosidade permaneceu por um bom tempo até definirem o que era aquela Coisa. Porém, nem os cientistas que ali apareceram de repente, conseguiram descobrir.
- Mas esses caras são esquizofrênicos! Não veem que isso já não tem vida?! Isso é uma Coisa! E não há nada mais para descobrir! - declarou seu Ricardo
- Mas isso é História, seu Ricardo!
- O fato ou a Coisa? - perguntou Manoel, dono da padaria.
- Os dois! - respondeu D. Fátima, cheia de certeza.
- Pois eu concordo e discordo. Concordo que seja sim um fato histórico, mas para a vida de cada um de nós! Esse caso na vai aparecer no Jornal das 20hrs, e mesmo que aparecesse, seria depois da reportagem de 30 min sobre os benefícios do abacaxi. E, oras, essa coisa não é histórica! Ela não tem boca para falar de qual época veio! Ela nem tem vida!
- Ave Maria, seu Ricardo - aborreceu-se D. Fátima - Os livros não têm boca, ou se quer vida, e falam!
- Eles foram escritos por alguém que possuia as duas coisas. E meu argumento é tão válido, que a senhora só discordou porque meu discurso não foi tão poético quanto a sua frase. Hunf!
- Olha aqui, seu Ricardo...
- Olha aqui a senhora! -interrompeu - Eu hein!
- Acalmem-se! Se querem brigar, briguem fora da minha padaria! - impôs Manoel - Onde já se viu?
Aquele final de tarde foi como todos os outros para D. Fátima, seu Ricardo, Manoel, e para todas as outras pessoas da cidade.
05hrs da manhã. A cidade ainda dormia quando duas caminhonetes invadiram a pequena cidade à procura de uma Coisa.
- Você achou, Francisco?
- Não, chefe.
- Vamos ter que ir ao prefeito, então.
- Hoje?
- Não, imbecil - retrucou o chefe - Amanhã.
- Mas "o amanhã" é hoje.
- Hã?
- São 5hrs da manhã, sabe? Então, tecnicamente...
- Ah, fique calado.
O chefe e Francisco dirigiram-se ao hotel, e passaram o resto da madrugada lá. Quando eram 14hrs, eles sairam do hotel e, chamando muita atenção por serem desconhecidos e por suas vestimentas diferentes, foram a escritório do prefeito.
- Olá. O que desejam? - o prefeito perguntou, desconfiado
- A Coisa.
- Que Coisa?!
- A Coisa, caramba! - disse o chefe, sem paciência
- Defina "Coisa".
- Coisa? Coisa é uma coisa sem definição!
- Mas deve ter forma, não?
- Mas não tem nome.
- A forma não tem nome?
- Não.
- Então a forma tem nome? - perguntou o prefeito
- Sim! Quer dizer, não! A forma não tem nome.
- Tem cor, ao menos?
- Branco.
- Ah, A Coisa é branca?
- Não.
- Ué! - expressou o prefeito, já sem muita paciencia de continuar aquilo
- Não tem cor..
- Então a coisa é transparente.
- Não! Tem todas as cores!
- Por que disse que é branco, então?
- A soma de todas as cores não é branca? - questionou o chefe
- Esqueça.
- E o tamanho?
- Mais ou menos assim - o chefe juntou o polegar e o indicador da mão direita - Sabe?
- Mas que diabos de Coisa é essa?!
- A Coisa!
- Assim fica difícil, amigo - confessou o prefeito.
- Chefe? - perguntou Francisco
- O que queres?
- Não é A Coisa que está estampada no jornal?
- Onde?
- Ali - Francisco apontou para o jornal que se encontrava no chão do canto da sala do prefeito - Olha...
- Isso! Isso! Isso é a coisa!
- Isso ou A Coisa? - perguntou o prefeito
- Não, isso É A Coisa! Aqui! Na capa do jornal!
- Aaaaaaaaah sim! OK... E para quê você quer isso?
- Porque eu...
- Eu não perguntei porquê. - interrompeu o prefeito - Perguntei para quê.
- Para eu deolver pro dono!
- Mas não é seu?
- Não, é do meu chefe.
- Mas você nao era o chefe?
- Todo chefe tem um chefe!
- Mas eu não sou chefe - disse Francisco
- Fique quieto. - retrucou o chefe - Só quero A Coisa de volta. Onde ela está?
- No museu. - respondeu o prefeito
- Vamos até lá. Agora.
Sem poder evitar, o prefeito acompanhou o chefe e Francisco até o museu. 2hrs depois, os três estavam dentro do museu, de frente pra Coisa, que estava dentro de um vidro sob um pedestal de madeira.
- Tenho nojo dessa Coisa - comentou o prefeito
- Por que? - perguntou o chefe
- Eca! Olha!
- Isso é normal.
- Não... - respondeu o prefeito - Não, pelo menos aqui.
- Bom. Posso levá-lo?
- Não.
- Por que? - o chefe admirou-se
- Isso tem uma taxa?
- Não...
- Pois agora tem. 200 reais.
- Tome, pobre coitado - disse o chefe enquanto tirava o dinheio do bolso -. Agora dê-me A Coisa.
- Aqui está.
- Eca! É nojento mesmo!
- É... - disse o prefeito, num tom meio irônico
- Então, podemos ir, chefe? - perguntou Francisco
- Segure isso! - disse o chefe entregando A Coisa para Francisco
- Eca! Eerr.. Eca.
- Oras, leve essa Coisa daqui. - ordenou o prefeito
- Não! É feia demais!
- É. Mas o seu chefe quer, não quer?
- Quer. Mas creio que ele goste de coisas mais bonitas.
- Oras... - Francisco pensou alto
- Prefeito, dê-me meus 200 reais.
- Dê-me A Coisa!
- Tome.
- Tome!
- Vamos, chefe?
- Vamos, Francisco.
O chefe saiu confuso do museu e levou consigo Francisco e as caminhonetes.
"O que vou fazer agora?" questinou o prefeito quando viu-se parado só, na porta do museu às 5h:25 da tarde. Foi até a recepção:
- Posso devolver A Coisa? - perguntou para a recepcionista do museu - Posso?
- Desculpe, prefeito. Isto já está registrado como vendido.
- Já? Quem registrou?
- Eu, prefeito. Afinal, você a vendeu para aquele senhor de bigodes.
- Oras! E desde quando se vende peças de museu, pra ter um caderno de registros e tudo?
- Desde quando o senhor aprovou o abaixoassinado que o seu Ricardo fez, dizendo que os objetos que aqui estão só têm valor Histórico, o que ele disse que não importa muito. Algo assim.
- Quando que eu aprovei isso? - perguntou o prefeito, apavorado - Quando?!
- No início da campanha, senhor.
- Nossa.
- É - concordou a recepcionista
- Boa noite. - o prefeito despediu-se
O prefeito saiu do museu e dirigiu-se à sua casa, onde chegou quando, finalmente, escureceu. Entrou em casa, fechou a porta e encostu na parede com A Coisa na mão. Andou em volta da mesa de madeira da sala, e às 18hrs em ponto, apoiou o braço direito na mesa e percebeu que estava bamba. Olhou pra o pé torto da mesa e pensou "por que não?". Abaixou-se lentamente. Com o braço direito, empurrou a mesa e colocou A Coisa no chão. Levantou-se, levantou a mesa com um pouco de esforço, e apoiou o pé torto sobre A Coisa. A mesa já não era mais bamba.
- Ufa - sussurou o prefeito
- O que foi? - perguntou a mulher do prefeito, penteando os cabelos
- Cansaço, querida, cansaço.
- Hm... Hoje fui cortar cabelo. Reparou na cor nova? É uma mistura de vermelho com marrom, que se chama vermelho amendoado e... O que é isso?
- Isso o quê?
- Essa Coisa debaixo da mesa.
- Ah, é A Coisa que não deixa a mesa bamba.
História fictícia, feita em parceria com dona Marianna. Não quis insinuar nada sobre os mineiros, os prefeitos, os chefes, os Franciscos, e nhe nhe nhe.
OBS.: O post do dia anterior não é uma frase ateia.
21 de janeiro de 2010
15 de janeiro de 2010
Só 7 pequeno desejos;
E é por essas e outras que eu quero um violão, um copo de guaraná com pizza, flores no cabelo, roupas na areia da praia, sonhos num olhar, marquinhas de batom, e muitos corações riscados na parede.
Só 7 pequenas impossibilidades.
Só 7 pequenas impossibilidades.
8 de janeiro de 2010
autoafirmação em forma de palavras
Detesto as melhores coisas do mundo. Mesmo que elas não sejam detestáveis.
Elas simplesmente descartam todas as oportunidades, sonhos, chances, e sentimentos que existem. Nada é melhor que nada, e ninguém é melhor que ninguém. Tudo tem dois lados, até a moeda.
Mas por que algum imbecil criou o Livro dos Recordes?
Hoje fui à livraria. Tinha acabado de chegar. O antigo, do ano passado, eu acho. Com uma capa verde brilhante, como se anunciasse um milagre.
Convenhamos, não é um milagre um menino de 9 anos equilibrar 10 caracóis na face. Eu consigo fazer isso. Com 11 caracóis, 11! (sim, eu tentei). E nem por isso fui ao Livro dos Recordes.
Não existem por aí caçadores de recordes (existe?), pelo menos no Livro dos Recordes. Você se inscreve, eles vão até a sua casa marcar em quanto tempo você consegue fazer a maior bola de chiclete do mundo.
O Livro dos Recordes é, na verdade, recordes infelizes de pessoas que querem se autoafirmar.
Assim como o Twitter, o Formspring, o Orkut, e o Pré Psicopata.
Aliás, escrever não é nada mais do que se autoafrimar.
Autoafirmar oportunidades, sonhos, chances, e sentimentos.
Elas simplesmente descartam todas as oportunidades, sonhos, chances, e sentimentos que existem. Nada é melhor que nada, e ninguém é melhor que ninguém. Tudo tem dois lados, até a moeda.
Mas por que algum imbecil criou o Livro dos Recordes?
Hoje fui à livraria. Tinha acabado de chegar. O antigo, do ano passado, eu acho. Com uma capa verde brilhante, como se anunciasse um milagre.
Convenhamos, não é um milagre um menino de 9 anos equilibrar 10 caracóis na face. Eu consigo fazer isso. Com 11 caracóis, 11! (sim, eu tentei). E nem por isso fui ao Livro dos Recordes.
Não existem por aí caçadores de recordes (existe?), pelo menos no Livro dos Recordes. Você se inscreve, eles vão até a sua casa marcar em quanto tempo você consegue fazer a maior bola de chiclete do mundo.
O Livro dos Recordes é, na verdade, recordes infelizes de pessoas que querem se autoafirmar.
Assim como o Twitter, o Formspring, o Orkut, e o Pré Psicopata.
Aliás, escrever não é nada mais do que se autoafrimar.
Autoafirmar oportunidades, sonhos, chances, e sentimentos.
2 de janeiro de 2010
stairway to heaven
Se a Lei de Murphy diz que se "algo tem chances de dar errado, dará", e tudo tem chances de dar errado, e ela é uma lei, e leis têm que ser cumpridas por todo mundo, e todo mundo tem que ter chances de ir pro Paraíso, e toda e qualquer pessoa tem a chance da sua vida, e quando acerta vai pro Paraíso onde tudo é perfeito e tranquilo, e nada tem chances de dar errado...
Seria o Paraíso o (ou algum) lugar onde nada acontece?
1 de janeiro de 2010
devaneios
Meu nome é Ana Julia. E eu não posso comer maçã.
Eu não posso comer maçã porque uso aparelho. E a maçã é dura o suficiente para quebrar o aparelho. E se o aparelho quebrar, meus pais já disseram: se vira. Lógico que meu pai me ajudaria a pagar outro, mas ele faria isso pelos Direitos Naturais, e, talvez, por um tiquinho de amor. Não que ele não me ame. Só que ele nunca foi a favor de eu colocar aparelho, e sairia uma pá de grana se eu o quebrasse. Seria desperdício de dinheiro do aparelho antigo, e desperdício de dinheiro do aparelho novo. É, do aparelho novo também. Seria desperdício de dinheiro com o aparelho novo, porque seria, basciamente, gastar dinheiro com uma maçã. Com um descuido meu.
Sou muito descuidada. É que eu sou preguiçosa, sabe? Eu admito isso porque chega a ser algo normal. Hoje em dia tá tudo tão rápido, que as pessoas nem precisam se levantar para lavarem a louça. Aí aumenta a preguiça. O ócio. E depois todo mundo reclama.
A preguiça é o único (eu acho) pecado que ninguém pode fazer parar. Nem a Bíblia.
Não que a Bíblia esteja errada, ou eu seja atéia. Eu não sou atéia. Eu acredito em Deus. Eu sei. Mas eu talvez não leve muita fé na Bíblia.
Acho que isso vem de família. Não que a minha família ache que a Bíblia esteja errada, ou que ela - a minha família - seja atéia. Pelo contrário, são católicos-exemplos, assim posso dizer. Pelo menos os tios da parte da minha mãe. Mas continuando, disse que isso vinha de família, porque eu acho que esses tios são um pouquinho paranóicos. Paranóicos porque eles querem que o mundo viva em paz, e eles acreditam que essa paz só possa ser conquistada com a Bíblia.
Por isso, eles juram que não fazem nenhum pecado. Mas são paranóicos. O que não é um pecado decretado, mas é um pecado pra ciência.
Não que todos os católicos sejam paranóicos. Generalizar é algo feio.
Eu tenho tios por parte de pai também.
E eles também são paranóicos. Mas eles não são católicos. Eles são ateus.
O tio mor é economista. Vive preocupado com a inflação. Vê a Bolsa de Valores todos os dias, e acompanha negócios até que não têm nada a ver com os negócios da família.
Consequentemente, casou-se com uma mulhe preocupada com a inflação, e então, suas crias foram de crianças (hoje, todos já crescidos) preocupadas com o dinheiro da mesada.
Ué, se preocupar com o dinheiro é necessário para que vivamos decentemente.
Mas eles são um pouquinho paranóicos. Paranóicos porque ao invés de olharem a parte "Cultura" do jornal, olham a parte "Economia".
Eles não acreditam na Bíblia, são ateus. Por isso não ligam se isso é pecado ou não.
Porém, eles acreditam na ciência.
E ser paranóico é um "pecado" pra ciência.
Não que todos os ateus sejam paranóicos. Generalizar é algo feio.
Ser paranóico, para ciência, significa ter má digestão.
Estudos já comprovaram que quando você está paranóico enquanto come, você digere as coisas mal. E, pense só, é nojento você saber que ainda tem restos dentro de você. Restos do almoço do dia anterior.
Meu tio por parte de pai almoça recebendo - e vendo - mensages de celular. Mensagens que dizem: "nosso negócio foi aprovado!", "a Bolsa caiu!", "hora de fechar o negócio.", "o que você acha de Marx?"
Coisa chata. Acho que a hora do almoço serve pra você falar de coisas que você gosta. Não que eu não gosto de economia, de discutir economia, eu até gosto. Mas não na hora do almoço.
E não, meu tipo por parte de pai não gosta de economia.
Ele seguiu economia porque foi o único vestibular que ele foi aprovado. Ele queria fazer medicina.
Meu tipo por parte de mãe almoça preocupado com a gula. É um dos pecados, né?
Fica se questionando em voz alta se deve comer mais. Se ele está com vontade, coma, ué! Não é pecado! É só não exagerar!
Ele é tão preocupado com o exagero, que acaba esquecendo que exagera ao se preocupar.
E não, ele não gosta de se preocupar. Sempre diz que quer "levar uma vida tranquila, sem preocupação".
Meus tios não digerem nada bem.
Mas então, o que falar na hora do almoço? Falar de coisas agradáveis, sim.
O problema é que nem tudo que agrada um, agrada outro.
E a única coisa em comum que a família do irmão da minha mãe tem, é a Bíblia.
E a única coisa em comum que a família do irmao do meu pai tem, é a Economia.
Eles deviam passar mais tempo juntos. Assim o pai do sobrinho da minha mãe descobriria que o sobrinho da minha mãe também gosta de Bob Dylan.
Mas do que eu estou falando. Aqui ninguém almoça junto. Justamente por isso.
Aposto que na casa do Bob Dylan todo mundo almoçava junto. Não pela época de adolescência dele, mas porque os valores eram outros naquela época.
Os valores daquela época pra essa época ainda são os mesmos.
Só com um pouco mais de preguiça.
Um pouco menos de fé.
E um pouco mais de números.
E já existia a bolsa. Já existia a Bíblia.
E já existia maçãs.
E já existia devaneios.
vou ser apedrejada por esse texo. ahueha.
coisa sem nexo.
Eu não posso comer maçã porque uso aparelho. E a maçã é dura o suficiente para quebrar o aparelho. E se o aparelho quebrar, meus pais já disseram: se vira. Lógico que meu pai me ajudaria a pagar outro, mas ele faria isso pelos Direitos Naturais, e, talvez, por um tiquinho de amor. Não que ele não me ame. Só que ele nunca foi a favor de eu colocar aparelho, e sairia uma pá de grana se eu o quebrasse. Seria desperdício de dinheiro do aparelho antigo, e desperdício de dinheiro do aparelho novo. É, do aparelho novo também. Seria desperdício de dinheiro com o aparelho novo, porque seria, basciamente, gastar dinheiro com uma maçã. Com um descuido meu.
Sou muito descuidada. É que eu sou preguiçosa, sabe? Eu admito isso porque chega a ser algo normal. Hoje em dia tá tudo tão rápido, que as pessoas nem precisam se levantar para lavarem a louça. Aí aumenta a preguiça. O ócio. E depois todo mundo reclama.
A preguiça é o único (eu acho) pecado que ninguém pode fazer parar. Nem a Bíblia.
Não que a Bíblia esteja errada, ou eu seja atéia. Eu não sou atéia. Eu acredito em Deus. Eu sei. Mas eu talvez não leve muita fé na Bíblia.
Acho que isso vem de família. Não que a minha família ache que a Bíblia esteja errada, ou que ela - a minha família - seja atéia. Pelo contrário, são católicos-exemplos, assim posso dizer. Pelo menos os tios da parte da minha mãe. Mas continuando, disse que isso vinha de família, porque eu acho que esses tios são um pouquinho paranóicos. Paranóicos porque eles querem que o mundo viva em paz, e eles acreditam que essa paz só possa ser conquistada com a Bíblia.
Por isso, eles juram que não fazem nenhum pecado. Mas são paranóicos. O que não é um pecado decretado, mas é um pecado pra ciência.
Não que todos os católicos sejam paranóicos. Generalizar é algo feio.
Eu tenho tios por parte de pai também.
E eles também são paranóicos. Mas eles não são católicos. Eles são ateus.
O tio mor é economista. Vive preocupado com a inflação. Vê a Bolsa de Valores todos os dias, e acompanha negócios até que não têm nada a ver com os negócios da família.
Consequentemente, casou-se com uma mulhe preocupada com a inflação, e então, suas crias foram de crianças (hoje, todos já crescidos) preocupadas com o dinheiro da mesada.
Ué, se preocupar com o dinheiro é necessário para que vivamos decentemente.
Mas eles são um pouquinho paranóicos. Paranóicos porque ao invés de olharem a parte "Cultura" do jornal, olham a parte "Economia".
Eles não acreditam na Bíblia, são ateus. Por isso não ligam se isso é pecado ou não.
Porém, eles acreditam na ciência.
E ser paranóico é um "pecado" pra ciência.
Não que todos os ateus sejam paranóicos. Generalizar é algo feio.
Ser paranóico, para ciência, significa ter má digestão.
Estudos já comprovaram que quando você está paranóico enquanto come, você digere as coisas mal. E, pense só, é nojento você saber que ainda tem restos dentro de você. Restos do almoço do dia anterior.
Meu tio por parte de pai almoça recebendo - e vendo - mensages de celular. Mensagens que dizem: "nosso negócio foi aprovado!", "a Bolsa caiu!", "hora de fechar o negócio.", "o que você acha de Marx?"
Coisa chata. Acho que a hora do almoço serve pra você falar de coisas que você gosta. Não que eu não gosto de economia, de discutir economia, eu até gosto. Mas não na hora do almoço.
E não, meu tipo por parte de pai não gosta de economia.
Ele seguiu economia porque foi o único vestibular que ele foi aprovado. Ele queria fazer medicina.
Meu tipo por parte de mãe almoça preocupado com a gula. É um dos pecados, né?
Fica se questionando em voz alta se deve comer mais. Se ele está com vontade, coma, ué! Não é pecado! É só não exagerar!
Ele é tão preocupado com o exagero, que acaba esquecendo que exagera ao se preocupar.
E não, ele não gosta de se preocupar. Sempre diz que quer "levar uma vida tranquila, sem preocupação".
Meus tios não digerem nada bem.
Mas então, o que falar na hora do almoço? Falar de coisas agradáveis, sim.
O problema é que nem tudo que agrada um, agrada outro.
E a única coisa em comum que a família do irmão da minha mãe tem, é a Bíblia.
E a única coisa em comum que a família do irmao do meu pai tem, é a Economia.
Eles deviam passar mais tempo juntos. Assim o pai do sobrinho da minha mãe descobriria que o sobrinho da minha mãe também gosta de Bob Dylan.
Mas do que eu estou falando. Aqui ninguém almoça junto. Justamente por isso.
Aposto que na casa do Bob Dylan todo mundo almoçava junto. Não pela época de adolescência dele, mas porque os valores eram outros naquela época.
Os valores daquela época pra essa época ainda são os mesmos.
Só com um pouco mais de preguiça.
Um pouco menos de fé.
E um pouco mais de números.
E já existia a bolsa. Já existia a Bíblia.
E já existia maçãs.
E já existia devaneios.
vou ser apedrejada por esse texo. ahueha.
coisa sem nexo.
29 de dezembro de 2009
O restante
O mundo tá cheio de gente. Algumas dessas pessoas são minhas amigas. E algumas dessas pessoas são minha família. E todas essas pessoas, sou eu.
Grande parte dessas pessoas gosta de Beatles. Outras, não gostam. E o resto, como eu, é indiferente.
Resto.
Essa "democracia" que a gente vive, sempre esquece da minoria. E a minoria deixa de ter opinião, e vira resto. Não que a maioria seja arrogante ao ponto de pisar em cima do resto (bom, pelo menos vamos dizer que não), mas é que a minoria sempre vai ser o resto.
E algumas pessoas ficam felizes em serem o resto.
Aquele grupo de amigos do canto do bar. Só eles sabem o resto da música. E se orgulham disso.
Aquelas meninas sentadas no banco. Só elas sabem o resto da fofoca. E se orgulham disso.
Aquele rapaz andando vagarosamente. Só ele sabe o resto do pensamento. E se orgulha disso.
E com esse orgulho, as pessoas são capazes de fazerem chantagens pro resto da vida.
Talvez, o sentido da vida seja esquecer o resto da vida que te resta.
E usar o restante do amor que há em ti.
- Eu sei que o layout tá uma porcaria, mas depois eu mudo, não me encham por causa disso. (Né, Mauro?)
Grande parte dessas pessoas gosta de Beatles. Outras, não gostam. E o resto, como eu, é indiferente.
Resto.
Essa "democracia" que a gente vive, sempre esquece da minoria. E a minoria deixa de ter opinião, e vira resto. Não que a maioria seja arrogante ao ponto de pisar em cima do resto (bom, pelo menos vamos dizer que não), mas é que a minoria sempre vai ser o resto.
E algumas pessoas ficam felizes em serem o resto.
Aquele grupo de amigos do canto do bar. Só eles sabem o resto da música. E se orgulham disso.
Aquelas meninas sentadas no banco. Só elas sabem o resto da fofoca. E se orgulham disso.
Aquele rapaz andando vagarosamente. Só ele sabe o resto do pensamento. E se orgulha disso.
E com esse orgulho, as pessoas são capazes de fazerem chantagens pro resto da vida.
Talvez, o sentido da vida seja esquecer o resto da vida que te resta.
E usar o restante do amor que há em ti.
- Eu sei que o layout tá uma porcaria, mas depois eu mudo, não me encham por causa disso. (Né, Mauro?)
22 de dezembro de 2009
Para Maria
Talvez o cara perfeito não seja o que você espera.
Talvez, ele nem seja quem você espera.
Acho que a perfeição do cara é descobrir que você quer ele pro resto da sua vida.
Talvez, ele nem seja quem você espera.
Acho que a perfeição do cara é descobrir que você quer ele pro resto da sua vida.
14 de dezembro de 2009
dont forget that
Quando você perde dinheiro, você perde tempo.
Quando você perde tempo, você perde oportunidades.
Quando você perde oportunidades, você perde possíveis chances de ganhar.
Quando você perde essas chances, você perde lembranças.
Quando você perde lembranças, você perde sorrisos.
E quando você perde sorrisos, você perde pessoas.
Quando você perde tempo, você perde oportunidades.
Quando você perde oportunidades, você perde possíveis chances de ganhar.
Quando você perde essas chances, você perde lembranças.
Quando você perde lembranças, você perde sorrisos.
E quando você perde sorrisos, você perde pessoas.
7 de dezembro de 2009
Viva la revolucion. Ou não.
Encostei no canto atrás da porta. Não esperei. Não contei as horas. Mas creio que deve ter levado umas 4 horas para sentirem minha falta.
Durante 4 frias horas de uma noite de dezembro, eu fiquei, imóvel, no canto da sala, atrás da porta. Me veio na cabeça todas as músicas do Caetano, todos aqueles que já quis, e tudo aquilo que eu não queria ter. Que eu não queria ser.
Me veio várias revoluções, vários iluministas, e vários déspostas. E, por fim, quando me dei conta, estava pensando até nos historiadores.
As grandes revoluções começaram por causa de uma opinião (ou várias) que discorda da idéia central. Bem, eu tenho essa opinião.
Mas não expresso.
Depois, eles organizam como vão fazer essa revolução. Pode demorar anos.
Mas há anos eu não me expresso. Não como deveria ser.
E, depois, quando eles conseguem, o orgulho faz com que eles vivam felizes com a idéia que deu certo.
Talvez seja por isso que o meu orgulho não faz com que eu viva feliz.
Eu só queria ter um pouco mais de determinação, persistência e raiva pra poder fazer a minha revolução.
Eu só queria ter um pouco mais de paciência pra parar de "me abraçar" no canto da sala tentando consolar as minhas prórias dores.
Eu só queria ser um pouco mais de revolucionário, e não de historiador, entende?
Eu só queria ser um pouco mais de.
Durante 4 frias horas de uma noite de dezembro, eu fiquei, imóvel, no canto da sala, atrás da porta. Me veio na cabeça todas as músicas do Caetano, todos aqueles que já quis, e tudo aquilo que eu não queria ter. Que eu não queria ser.
Me veio várias revoluções, vários iluministas, e vários déspostas. E, por fim, quando me dei conta, estava pensando até nos historiadores.
As grandes revoluções começaram por causa de uma opinião (ou várias) que discorda da idéia central. Bem, eu tenho essa opinião.
Mas não expresso.
Depois, eles organizam como vão fazer essa revolução. Pode demorar anos.
Mas há anos eu não me expresso. Não como deveria ser.
E, depois, quando eles conseguem, o orgulho faz com que eles vivam felizes com a idéia que deu certo.
Talvez seja por isso que o meu orgulho não faz com que eu viva feliz.
Eu só queria ter um pouco mais de determinação, persistência e raiva pra poder fazer a minha revolução.
Eu só queria ter um pouco mais de paciência pra parar de "me abraçar" no canto da sala tentando consolar as minhas prórias dores.
Eu só queria ser um pouco mais de revolucionário, e não de historiador, entende?
Eu só queria ser um pouco mais de.